O Pr. Gilson Soares dos Santos é casado com a Missionária Selma Rodrigues, tendo três filhos: Micaelle, Álef e Michelle. É servo do Senhor Jesus Cristo, chamado com santa vocação. Bacharel em Teologia pelo STEC (Seminário Teológico Evangélico Congregacional), Campina Grande/PB; Graduado em Filosofia pela UEPB (Universidade Estadual da Paraíba); Pós-Graduando em Teologia Bíblica pelo CPAJ/Mackenzie (Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper). Professor de Filosofia e Teologia Sistemática no STEC. Professor de Teologia Sistemática no STEMES, em Campina Grande - Paraíba. Pastor do Quadro de Ministros da Aliança das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil (AIECB). Pastoreou a Igreja Evangélica Congregacional de Cuité/PB, durante 15 anos (1993-2008). Atualmente é Pastor Titular da Igreja Evangélica Congregacional em Areia - Paraíba.

12 de abril de 2012

A Teologia Socrática


Texto organizado por Gilson Soares dos Santos

No universo acadêmico, e fora dele, a grande maioria das pessoas pensa que todo filósofo é ateu. Julgando que filosofia e teologia são incompatíveis e se opõem. Este não é um pensamento verdadeiro, pois, como em toda área do conhecimento, dentro da filosofia existem aqueles que adotaram postura ateísta, mas também existem os que acreditam na existência de Deus, servindo-o com fidelidade. Entretanto, o que precisa ser entendido é que dentro do universo da filosofia a concepção de Deus nem sempre é aquela apresentava pelas Sagradas Escrituras e isso vai de encontro à concepção que temos de teísmo. Um exemplo claro disso é a teologia socrática a qual queremos, de maneira sucinta, esboçar aqui.

1 – Ateísmo: um dos motivos da condenação de Sócrates

Um dos motivos que levou Sócrates a ser condenado pelos seus inimigos foi o fato de pregar contra os “deuses em que a cidade acreditava”. No entanto, os inimigos de Sócrates se utilizaram deste pretexto injustamente, pois o filósofo, ao contrário do que acusavam seus inimigos, elaborou a primeira prova racional da existência de Deus que chegou até nós, isto, é claro, dentro da filosofia.

2 – Primeiro argumento socrático em favor da existência de um Deus

Aquilo que não é simples obra do acaso, mas constituído para alcançar um objetivo e um fim, pressupõe uma inteligência que o produziu por razões evidentes. Ademais, observando particularmente o homem, notamos que cada um e todos os seus órgãos estão constituídos de tal modo que não podem ser absolutamente explicáveis como obra do acaso, mas apenas como obra de uma inteligência que idealizou expressamente essa constituição.

3 – Segundo argumento socrático em favor da existência de um Deus

Sócrates diz que as pessoas podem objetar que ao contrário dos artífices terrenos, que podem ser vistos ao lado de suas obras, essa inteligência (Deus) não pode ser vista. Mas Sócrates observa que essa objeção não procede, porque a nossa alma (=inteligência) também não pode ser vista e, mesmo assim, ninguém ousa afirmar que, pelo fato de a alma (=inteligência) não ser vista, também não existe e que nós fazemos por acaso tudo o que fazemos.

4 – Terceiro argumento socrático em favor da existência de um Deus

Por fim, segundo Sócrates, é possível estabelecer, com base nos privilégios que o homem tem em relação a todos os outros seres (como, por exemplo, a estrutura física mais perfeita e, sobretudo, a posse de alma e de inteligência), que o artífice divino cuidou do homem de modo inteiramente particular.

5 – Quarto argumento socrático em favor da existência de Deus

O mundo e o homem são constituídos de tal modo (ordem, finalidade) que só uma causa adequada (ordenadora, finalizante e, portanto, inteligente) pode explicá-los. E, com sua ironia, Sócrates lembrava àqueles que rejeitavam esse raciocínio que nós possuímos uma parte de todos os elementos que estão presentes em grandes massas no universo, coisa que ninguém ousa negar: como então poderíamos pretender que nós, homens, nos assenhoreássemos de toda a inteligência que existe, não podendo haver nenhuma outra inteligência fora de nós? É evidente, segundo Sócrates, a incongruência lógica dessa pretensão.

6 – O Deus de Sócrates

O Deus de Sócrates, portanto, é a inteligência, que conhece todas as coisas sem exceção e é atividade ordenadora e providência. É providência, porém, que se ocupa com o mundo e os homens em geral, como também do homem virtuoso em particular (para a mentalidade antiga, o semelhante tem comunhão com o semelhante, razão pela qual Deus tem comunhão estrutural com o bom) mas não com o homem individualmente enquanto tal (a menos que se trate de homem mau).

Em linhas gerais, esta era a concepção que Sócrates tinha sobre Deus. Isto não quer dizer que Sócrates era um servo de Deus. Também não implica dizer que ele tinha a mesma concepção de Deus que os hebreus possuíam, nem ainda o entendimento que temos hoje. Mas o que pretendemos mostrar aqui é que o argumento que diz que “todo filósofo nega a existência de Deus” é falso, pois a grande maioria dos filósofos acreditava na existência de Deus, embora a compreensão que eles tinham de Deus seja carente de um aprofundamento maior nas Sagradas Escrituras.


Leia mais em:

REALE, Giovani; ANTISERI, DARIO. História da Filosofia. Vo. I.  8ª Edição. São Paulo. Paulus. 2003.