O Pr. Gilson Soares dos Santos é casado com a Missionária Selma Rodrigues, tendo três filhos: Micaelle, Álef e Michelle. É servo do Senhor Jesus Cristo, chamado com santa vocação. Bacharel em Teologia pelo STEC (Seminário Teológico Evangélico Congregacional), Campina Grande/PB; Graduado em Filosofia pela UEPB (Universidade Estadual da Paraíba); Pós-Graduando em Teologia Bíblica pelo CPAJ/Mackenzie (Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper). Professor de Filosofia e Teologia Sistemática no STEC. Professor de Teologia Sistemática no STEMES, em Campina Grande - Paraíba. Pastor do Quadro de Ministros da Aliança das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil (AIECB). Pastoreou a Igreja Evangélica Congregacional de Cuité/PB, durante 15 anos (1993-2008). Atualmente é Pastor Titular da Igreja Evangélica Congregacional em Areia - Paraíba.

24 de abril de 2012

Bibliomancia: A Teologia do dedão


A CONFIRMAÇÃO NA PALAVRA
Jó 33.14

Pr. Gilson Soares dos Santos

INTRODUÇÃO

É comum, entre os ímpios, práticas absurdas de adivinhação e prognósticos, tais como, a quiromancia, que consiste na adivinhação pelo exame das linhas da palma da mão, também chamada de quiroscopia; A necromancia, que consiste na adivinhação pela invocação dos espíritos de pessoas mortas; A cartomancia, que é a adivinhação por meio de cartas de jogar; A actinomancia, um ramo da astrologia em que se adivinha por meio das radiações estelares; A dactilomancia, que é a arte de adivinhar por meio dos dedos; A dafnomancia, que consiste na adivinhação por meio de folhas de loureiro queimadas; A lampadomancia, adivinhação que os antigos faziam observando as variações da chama duma lâmpada ou de um archote; A litomancia, que é a arte de adivinhar por meio de pedras; A libanomancia, adivinhação pela direção e forma da fumaça do incenso; A halomancia, que é a arte de adivinhar por meio de sal; A hepatoscopia, a tentativa de discernir o futuro através do fígado de um animal morto; A rabdomancia, que é a advinhação atirando pedaços de madeira ou flechas ao ar; A hidromancia, que é a adivinhação observando-se os reflexos na água; além de muitas outras, a exemplo da astrologia e o uso de bola de cristal. Todas essas práticas são condenadas pela Bíblia. Porém, no meio do povo evangélico surgiu uma prática semelhante a essas práticas, é a Bibliomancia, tão arriscada como as práticas ímpias de adivinhação.
         
É muito comum, nos dias atuais, encontrarmos irmãos com a Bíblia na mão, buscando uma “confirmação de Deus” para algo.
       
O procedimento é o seguinte: O crente precisa tomar alguma decisão, ou mesmo precisa saber se algo pelo qual ele está orando é confirmado por Deus, então abre a sua Bíblia em qualquer texto, o versículo que aparecer ali é porque o Senhor está “confirmando”. Isso é correto? Deus fala desta maneira? Deus confirma mesmo?
        
Vamos estudar sobre isso.

1 – Deus fala através de um versículo da Bíblia?
     
A Bíblia diz que Deus fala ora de um modo, ora de outro. O homem é que não atenta para isso (Jó 33.14). É possível que Deus fale para um servo seu através de um texto da Bíblia escolhido de forma aleatória. Porque Deus fala de diversos modos. Por isso, muitas vezes o crente está precisando de uma palavra de Deus, precisa ouvir o Senhor em certo momento, portanto, vai até sua Bíblia, abre num texto, de forma aleatória, e, maravilhosamente, Deus fala a esse crente, exatamente como o senhor quer que seja.



2 – Essa prática deve ser constante?
     
O problema de muitos crentes é que eles querem determinar a maneira como Deus deve lhes falar. Isso é pecado.
     
Há crentes, e isso é maioria, que querem ouvir a voz de Deus somente abrindo versículos da Bíblia. Isso torna-se pecado, porque não podemos determinar a forma de Deus nos falar.
     
As Sagradas Escrituras nos mostram Deus falando através de Profetas, Anjos, Sinais, Escritura na parede, até através de um animal. Por isso é errado tornar a prática de abrir textos bíblicos o único modo de Deus falar conosco.


3 – Existe algum perigo nesse tipo de prática?

Existem muitos perigos. Analisemos o seguinte:

a) Se um crente quer que Deus lhe fale, porém só quer ouvir coisas boas, ele nunca vai querer abrir a Bíblia nos livros dos profetas do Antigo Testamento, porque ali só tem “chicotadas”. É óbvio que ele vai recorrer ao Novo testamento. 

b) Então, nesse tipo de prática, eu posso escolher o que quero ouvir de Deus. Se quero ouvir palavras de repreensão e castigo, abro nos Livros do Antigo Testamento (a probabilidade é bem maior); Porém, se quero ouvir coisas agradáveis, abro no Novo testamento (Novamente a probabilidade é maior). É semelhante as famosas “caixinhas de promessas” que só trazem coisas boas. Até parece que Deus não repreende ninguém. 

c) Essa prática quando torna-se um hábito parece o costume dos consultores de “búzios” que jogam os “búzios” para ouvir os “espíritos falarem. 

d) Outro perigo, é que essa prática torna-se parecida com a astrologia, ou seja, se você observar o que dizem os horóscopos nos principais jornais, verá que eles se contradizem. Assim tem sido alguns “crentes” consultando a Bíblia aleatoriamente. Uns dizem “Deus confirmou que sim”; outros “Deus confirmou que não”. E aí? Por que as confirmações acontecem de forma desencontradas? Porque não devemos determinar a maneira como Deus há de falar para nós.

e) Outro perigo é que existem Bíblias que estão acostumadas a se abrirem sempre nas mesmas páginas. A gente corre o risco de ter uma confirmação “falsa”.

4 – Podemos pedir um sinal a Deus?

Encontramos na Bíblia servos do Senhor pedindo um sinal como prova. Gideão (Jz 6.36-40); Ezequias (Isaís 38.1-5). Porém, os servos de Deus não tinham o habito de ouvir a voz de Deus da maneira que queriam. Veja que Gideão não tinha como hábito pedir um sinal a Deus da mesma forma que na ocasião encontrada no texto de Juízes. Ezequias também não tinha o costume de pedir o retroceder do sol. O melhor sinal é quando Deus fala no íntimo do coração.

CONCLUSÃO

É preciso muita sabedoria para não mistificar os mistérios de Deus. É preciso ter o Espírito Santo para não cair no erro dos espíritas, macumbeiros, católicos, etc. que vivem tentando adivinhar por meio de objetos, símbolos, signos, sinais, e outros apetrechos.
      
A Bíblia não pode, por sua vez, ser um meio para, aleatoriamente, se discernir o futuro. Portanto, a Bibliomancia deve ser retirada do meio do povo evangélico. O que precisamos fazer é examinar a Bíblia completa e extrairmos dela as lições preciosas que nortearão nossas vidas.