O Pr. Gilson Soares dos Santos é casado com a Missionária Selma Rodrigues, tendo três filhos: Micaelle, Álef e Michelle. É servo do Senhor Jesus Cristo, chamado com santa vocação. Bacharel em Teologia pelo STEC (Seminário Teológico Evangélico Congregacional), Campina Grande/PB; Graduado em Filosofia pela UEPB (Universidade Estadual da Paraíba); Pós-Graduando em Teologia Bíblica pelo CPAJ/Mackenzie (Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper). Professor de Filosofia e Teologia Sistemática no STEC. Professor de Teologia Sistemática no STEMES, em Campina Grande - Paraíba. Pastor do Quadro de Ministros da Aliança das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil (AIECB). Pastoreou a Igreja Evangélica Congregacional de Cuité/PB, durante 15 anos (1993-2008). Atualmente é Pastor Titular da Igreja Evangélica Congregacional em Areia - Paraíba.

21 de janeiro de 2017

Questões Éticas: O cristão e a responsabilidade social


QUESTÕES ÉTICAS: O CRISTÃO E A RESPONSABILIDADE SOCIAL

Pr. Gilson Soares dos Santos

     Escrevendo sobre a responsabilidade social, Norman Geisler, no seu trabalho sobre Ética Cristã, nos traz os seguintes pontos:

·         As Escrituras deixam claro que o homem é responsável por seu próximo e esta responsabilidade “se estende às responsabilidades sociais bem como às espirituais. [...] é aparente em todas as partes da Escritura que os homens realmente têm uma responsabilidade diante dos outros”[1].
·         Essa responsabilidade envolve o amor. E esse amor se estende à totalidade da pessoa, ou seja, “o homem é mais que uma alma destinada para outro mundo, é também um corpo que vive neste mundo. [...] Logo, a fim de amar ao homem conforme ele é – o homem total – é necessário ter uma solicitude acerca das suas responsabilidades sociais, bem como das suas necessidades espirituais”[2].

     Geisler ainda pontua as responsabilidades específicas dos cristãos da seguinte maneira:

2.1 – A Responsabilidade pelos seus

a)    Prover para si mesmo: “Há um sentido em que o amor-próprio está na própria base da responsabilidade social. O homem deve amar o seu próximo como a si mesmo”.[3]. (Leia Ef 5.29; I Ts 4.11,12; II Ts 3.7,8)

b)    Provendo para sua família (Leia I Tm 5.8,16)

c)    Provendo para seus irmãos crentes (Leia Gl 6.9,10; Rm15:26; 1 Jo 3:17; Tg 2.15,16; I Jo 4.20; Jo 13.35; At 2.44,45; At 4.34,35; At 6.1-4; I Tm 5.9).

2.2 – A responsabilidade social para com todos os homens

     Iremos pontuar aqui o que escreveu Norman Geisler, em seu livro sobre Ética Cristã, naquilo que tange à responsabilidade social para com todos os homens:[4]

a)    A responsabilidade social pelos pobres:Jesus disse: "Os pobres sempre os tendes convosco..." (Mt 26:11). Com isto, descreveu a inevitabilidade da pobreza como um fenômeno social, não sua desejabilidade. De fato, Jesus disse: "Ao dares um banquete, convida os pobres .... e serás bem-aventurado, pelo fato de não terem com que recompensar-te" (Lc 14:13-14). A um homem cujo pecado era o amor ao dinheiro, Jesus disse: "Uma coisa ainda te falta: vende tudo o que tens, dá aos pobres..." (Lc 18:22). Quando Zaqueu se converteu, disse: "Senhor, resolvo dar aos pobres a metade dos meus bens." (Lc 19:8). [...] A primeira igreja em Jerusalém pediu a Paulo "que nos lembrássemos dos pobres," disse ele, "o que também me esforcei por fazer" (Gl 2:10). Em cumprimento desta incumbência, Paulo escreveu: "Por que aprouve à Macedônia e a Acaia levantar uma coleta em benefício dos pobres dentre os santos que vivem em Jerusalém" (Rm 15:26). Até antes deste tempo, quando havia fome em Jerusalém, "Os discípulos , cada um conforme as suas posses, resolveram enviar socorro aos irmãos que moravam na Judeia" (At 11:29). Era uma parte tomada por certa da responsabilidade cristã, desde os primórdios, que os que podiam deviam dar aos pobres. Que Deus tem cuidado especial com os pobres é ensinado também no livro de Tiago (cf. 2:5). [...] A lei de Moisés ordenava que os cantos e as respigas dos campos fossem deixados para os pobres e estrangeiros (Lv 19:9). Era ordenado, ainda mais: "Se teu irmão empobrecer, e as suas forças decaírem, então sustentá-lo-ás" (Lv 25:35; cf. Dt 15:15). Uma bênção especial é prometida aos que dão aos pobres: "Quem se compadece do pobre ao SENHOR empresta, e este lhe paga o seu benefício" (Pv 19:17). Outra vez: "Bem-aventurado o selecionados para julgamento específico. O salmista disse: "Sei que o SENHOR manterá a causa do oprimido, e o direito do necessitado" (140:12). Os profetas eram campeões dos pobres. Isaías escreveu: "Ai dos que decretam leis injustas, dos que escrevem leis de opressão, para negarem justiça aos pobres, para arrebatarem o direito aos aflitos do meu povo..." (10:1-2). Amós advertiu: "Ouvi isto, vós que tendes gana contra o necessitado, e destruís os miseráveis da terra ... Jurou o SENHOR pela glória de Jacó: Eu não me esquecerei de todas as suas obras para sempre" (8:4, 7).”[5]

b)    A responsabilidade social às viúvas e aos órfãos: “As Escrituras têm numerosas referências às viúvas e aos órfãos. Deus disse: "A nenhuma viúva nem órfão afligireis. Se de algum modo os afligirdes, e eles clamarem a mim, eu lhes ouvirei o clamor" (Êx 22:22,23). Havia uma proibição contra tomar em penhor a roupa da viúva (Dt 24:17). Quando os campos eram segados, todos os feixes de espigas esquecidos deviam ser deixados para as viúvas e os órfãos (Dt 24:19). Cada terceiro ano o dízimo dos produtos era dado às viúvas, aos órfãos, e aos estrangeiros (Dt 26:12-13). [..] Em síntese, Deus pronunciou uma bênção especial aos necessitados (cf. Sl 146:9), uma maldição sobre os que os exploravam (Dt 27:19), e uma obrigação a todos no sentido de sustentá-los. [...] O Novo Testamento, também, ressalta a obrigação social do cristão aos órfãos e às viúvas. Jesus advertiu, "Guardai-vos dos escribas ... que devoram a casa das viúvas ..." (Marcos 12:40). Jesus selecionou uma viúva para atenção especial por causa da sua oferta sacrificial (Lc 21: 2). A igreja primitiva ministrava às viúvas (At 6:1), e Paulo lembrou a Timóteo: "Honra as viúvas verdadeiramente viúvas" (1 Tm 5: 3). A igreja tinha um rol de assistência social para viúvas que eram velhas demais para trabalhar, ou que não podiam casar-se de novo (1 Tm 5:9-10). Talvez a passagem mais enfática no Novo Testamento sobre este assunto seja a que se acha no livro de Tiago, onde está escrito: "A religião pura e sem mácula, para com o nosso Deus e Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações ..." (Tiago 1: 27). O conceito bíblico de "visitar" significava muito mais do que passar por ali; significava ajudar a aliviar sua aflição. A não ser que alguém esteja fazendo isto, diz Tiago, sua religião não é pura.”[6].

2.3 – Outras responsabilidades sociais

     O bom estudante de Ética Cristã deve também pesquisar sobre as seguintes responsabilidades sociais:

a)    A responsabilidade social aos escravos e oprimidos.
b)    A responsabilidade social aos soberanos e governantes.

Encerrando nosso assunto sobre responsabilidade social, orientamos nossos estudantes a fazerem uma pesquisa para uma compreensão mais profunda sobre O PACTO DE LAUSANNE, o qual destaca muito bem a responsabilidade social da igreja.





[1]  GEISLER, Norman L. Ética Cristã: Alternativas e Questões Contemporâneas. São Paulo: Vida Nova. 2001. p.153.
[2]  GEISLER, Norman L. Ética Cristã: Alternativas e Questões Contemporâneas. São Paulo: Vida Nova. 2001. p.154.
[3]  GEISLER, Norman L. Ética Cristã: Alternativas e Questões Contemporâneas. São Paulo: Vida Nova. 2001. p.155.
[4]  GEISLER, Norman L. Ética Cristã: Alternativas e Questões Contemporâneas. São Paulo: Vida Nova. 2001. p.156-157
[5]  GEISLER, Norman L. Ética Cristã: Alternativas e Questões Contemporâneas. São Paulo: Vida Nova. 2001. p.157.
[6]  GEISLER, Norman L. Ética Cristã: Alternativas e Questões Contemporâneas. São Paulo: Vida Nova. 2001. p.157.