O Pr. Gilson Soares dos Santos é casado com a Missionária Selma Rodrigues, tendo três filhos: Micaelle, Álef e Michelle. É servo do Senhor Jesus Cristo, chamado com santa vocação. Bacharel em Teologia pelo STEC (Seminário Teológico Evangélico Congregacional), Campina Grande/PB; Graduado em Filosofia pela UEPB (Universidade Estadual da Paraíba); Pós-Graduando em Teologia Bíblica pelo CPAJ/Mackenzie (Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper). Professor de Filosofia e Teologia Sistemática no STEC. Professor de Teologia Sistemática no STEMES, em Campina Grande - Paraíba. Pastor do Quadro de Ministros da Aliança das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil (AIECB). Pastoreou a Igreja Evangélica Congregacional de Cuité/PB, durante 15 anos (1993-2008). Atualmente é Pastor Titular da Igreja Evangélica Congregacional em Areia - Paraíba.

20 de junho de 2014

Pequeno Estudo Sobre O Cânon das Sagradas Escrituras


                   O CÂNON DAS SAGRADAS ESCRITURAS

Pr. Gilson Soares dos Santos

Nosso estudo de hoje é sobre o Cânon das Sagradas Escrituras: Antigo Testamento e Novo Testamento.

1 – Definindo o que é o Cânon das Escrituras

O termo Cânon vem do grego e significa, literalmente, “vara reta de medir”, assim como uma régua de carpinteiro.

No sentido religioso Cânon significa “aquilo que serve de regra ou norma”.

Por isso, chamamos de Cânon das Sagradas Escrituras a relação de livros do Antigo e do Novo Testamento considerados como tendo sido inspirados e que podem ser aceitos como regra de fé e prática da conduta cristã.

Diz-se dos livros da Bíblia que são canônicos para diferençá-los dos apócrifos. O emprego do termo cânon foi primeiramente aplicado aos livros da Bíblia por Orígenes (185-254 d.C.).

2 – O Cânon do Antigo Testamento

Nas Bíblias Protestantes temos 39 Livros no Antigo Testamento. Como, Quando e Por quê esses livros foram aceitos como canônicos, ou seja, como inspirados?     

O Cânon do Antigo Testamento, como o temos atualmente, ficou completo desde o tempo de Esdras, após 445. a.C. Nessa época, os judeus já aceitavam os 39 Livros do Antigo Testamento como sendo a Palavra de Deus.

O Cânon do Antigo Testamento foi formado num espaço de mais de mil anos (+ -1046 anos) - de Moisés a Esdras. Moisés escreveu as primeiras palavras do Pentateuco por volta de 1491 a.C. Esdras entrou em cena em 445 a.C. Esdras não foi o último escritor na formação do cânon do Antigo Testamento; os últimos foram Neemias e Malaquias, porém, de acordo com os escritos históricos, foi ele que, na qualidade de escriba e sacerdote, reuniu os rolos canônicos, ficando também o cânon encerrado em seu tempo.

Na verdade, o cânon do Antigo Testamento foi se formando com o passar dos séculos. Vejamos um resumo de como foi formado o cânon do AT:

A LEI: “A piedade judaica supunha que Moisés era autor dos livros da lei, com a exceção única de algumas poucas passagens; e também julgava que, desde o começo, seus escritos foram respeitados como comunicações divinas. Isso nos daria uma data bem remota para a canonização da lei, isto é, cerca de 1500 a.C.”

 “A questão da autoria mosaica do Pentateuco é importante por ter sido ele uma grande e bem reconhecida figura espiritual, pelo que, o que ele escreveu deve ser respeitado como divinamente inspirado: Ê nesse ponto que encontramos a primeira comprovação de canonicidade.”

OS PROFETAS ANTERIORES E POSTERIORES: “As evidências históricas demonstram que os profetas anteriores encontrados em Josué, Juízes, Samuel e Reis, bem como os profetas posteriores, como Isaías, Jeremias, Ezequiel e os doze profetas menores, eram considerados Escritores Sagrados pelo menos desde 25O a 175 a.C. Naturalmente, os eruditos conservadores entendem que os escritos dos profetas, desde perto da data de escrita de cada um deles, foram reconhecidos como mensagens espirituais, como se desde quase imediatamente tivessem recebido uma posição canônica.”

OS ESCRITOS: Essa e a terceira porção do cânon hebraico, constituída por certa variedade de livros. Esses livros são os Salmos, Provérbios, Jó e os cinco rolos: Cântico dos Cânticos, Rute, lamentações, Eclesiastes e Ester, cada um dos quais era lido uma das cinco grandes festas, da páscoa à festa de Purim. Além desses, há os livros de Daniel, Esdras, Neemias, Crônicas e Eclesiastes. Dentre esses livros todos, o Cântico dos Cânticos e o Eclesiastes foram os últimos a serem aceitos como canônicos. As datas marcadas pelos estudiosos liberais ficam entre 160 e 105 a.C.

OBSERVAÇÃO: Em 90 d.C. Em Jâmnia, perto da moderna Jope, em Israel, os rabinos, num concilio sob a presidência de Johanan Ben Zakai, reconheceram o cânon do Antigo Testamento. Note-se porém que o trabalho desse concilio foi apenas ratificar aquilo que já era aceito por todos os judeus através de séculos. Jâmnia, após a destruição de Jerusalém (70 d.C.) tornou-se a sede do Sinédrio - o supremo tribunal dos judeus.

2.1 – O Cânon do Antigo Testamento reconhecido no Novo Testamento

As muitas citações do Antigo Testamento no Novo mostram a estatura canônica daquela coletânea, nas mentes daqueles que escreveram o Novo Testamento. [..] O termo «Escrituras» é frequentemente usado no Novo Testamento, apontando para o Antigo Testamento (Ver Mat. 26:54; João 5:39; Atos 17:2.)

Além disso, temos 11 Tim, 3: 16 que reivindica inspiração divina para esses livros; e também 11 Ped. 1:21 reflete isso.

Jesus referiu-se à lei e ao fato de que Moisés escreveu a Seu respeito. Aludiu aos profetas, como quem escrevera acerca dele. De fato, começando por Moisés, passou por todos os profetas, encontrando referências que prediziam o seu ministério (Luc. 25:27).

O trecho de Lucas 24:44 conta que quando os discípulos relataram o diálogo que tinham tido com Jesus, a caminho da aldeia de Emaús, eles Incluíram Moisés, os Salmos e os Profetas como aquelas porções bíblicas que Jesus usara para mostrar-lhes o que fora previsto sobre sua pessoa.

Admite-se universalmente que o cânon de trinta e nove livros do Antigo Testamento hebraico era universalmente aceito nos dias do Novo Testamento.

3 – O Cânon do Novo Testamento

O que influenciou a igreja a formar o cânon do Novo Testamento? Isso se deve a pelo menos duas influências. Em primeiro lugar, os cristãos do Novo Testamento estavam familiarizados com os livros do Antigo Testamento, já organizados canonicamente. Isso os inspirou a pensar numa coletânea semelhante para os escritos dos apóstolos. Em segundo lugar, munidos dos evangelho e das epístolas, já escritos e bem divulgados nas igrejas, pessoas de responsabilidade entre os cristãos começaram a copiar tais escritos, colecionando-os e guardando com os nomes de seus respectivos autores. Esses escritos eram muito valorizados     

Vejamos um resumo da História do Cânon do Novo Testamento:

Durante o tempo dos apóstolos, algumas das epístolas de Paulo e um ou mais evangelhos já eram aceitos como Escritura. Já no começo do século II D.C., de modo geral, ainda não universal, treze epístolas de Paulo eram recebidas como Escrituras, como também os quatro evangelhos, as epístolas de I Joio e I Pedro, e também o livro de Apocalipse, totalizando vinte livros ou mais. Durante o século III d.C. eram aceitos quase universalmente todos os vinte e sete livros do N.T. No século IV d.C. chegou-se à fixação quase universal do cânon do N. T., tal como existe hoje em dia. Os concilio, tanto os antigos como os da Idade Média, em geral aprovaram o cânon de vinte e sete livros, tal como os conhecemos na atualidade.

As Epístolas de Paulo. Foram os primeiros escritos do Novo Testamento. São 13: de Romanos a Filemom. Foram escritas entre 52 e 67 d.C. Pela ordem cronológica, o primeiro livro do Novo Testamento é 1 Tessalonicenses, escrito em 52 d.C. 2 Timóteo foi escrita em 67 d.C, pouco antes do martírio do apóstolo Paulo em Roma. Esses livros foram também os primeiros aceitos como canônicos. Pedro chama os escritos de Paulo de "Escrituras" - título aplicado somente à Palavra inspirada de Deus! (2 Pe 3.15,16).

Os Atos dos Apóstolos. Escrito em 63 d.C, no fim dos dois anos da primeira prisão de Paulo em Roma (At 28.30).

Os Evangelhos. Estes, a princípio, foram propagados oralmente. Não havia perigo de enganos e esquecimento porque era o Espírito Santo quem lembrava tudo e Ele é infalível (Jo 14.26). Os Sinóticos foram escritos entre 60 a 65 d.C. Marcos, em 65. Em 1 Timóteo 5.18, Paulo, escrevendo em 65 d.C, cita Mateus 10.10. João foi escrito em 85. Entre Lucas e João foram escritas quase todas as epístolas. Note-se que Paulo chama Mateus e Lucas de "Escrituras" ao citá-los em 1 Timóteo 5.18; o original dessa citação está em Mateus 10.10 e Lucas 10.7.

As Epístolas, de Hebreus a Judas, foram escritas entre 68 e 90 d.C. Quanto à autoria de Hebreus, só Deus sabe de fato. Agostinho (354-430 d.C), bispo de Hipona, África do Norte, afirma que seu autor é Paulo. As igrejas orientais atribuíram-na a Paulo, mas as ocidentais, até o IV século recusaram-se a admitir isto. A opinião ainda hoje é a favor de Paulo. Orígenes (185-254) - o homem mais ilustre da igreja antiga, e, anterior a Agostinho - afirma: "Quem a escreveu só Deus sabe com certeza".

O Apocalipse. Escrito em 96 d.C, durante o reinado do imperador Domiciano. Muitos livros antes de serem finalmente reconhecidos como canônicos foram duramente debatidos.

Antes do ano 400 d.C, todos os livros estavam aceitos. Em 367, Atanásio, patriarca de Alexandria, publicou uma lista dos 27 livros canônicos, os mesmos que hoje possuímos; essa lista foi aceita pelo Concilio de Hipona (África) em 393.

No III Concilio de Cartago, em 397 d.C. Nessa ocasião, foi definitivamente reconhecido e fixado o cânon do Novo Testamento. Este Concílio ratificou formalmente os 27 livros do Novo Testamento, que conhecemos. Não elaborou o Cânon do Novo Testamento, mas apenas expressou o que já era sentimento unânime das igrejas.

OBSERVAÇÃO: Para que um Livro fosse aceito como canônico era preciso:

1) expor com clareza e autoridade a vontade de Cristo;

2) O nome do autor que subscrevia o livro era de grande importância;

3) deveria ter brotado da pena de um apóstolo ou de alguém a ele intimamente ligado, fosse evangelho, fosse epístola;

4) A doutrina do livro devia ser ortodoxa;

5) O livro devia ser amplamente usado para instrução e edificação dos fieis;

6) Aos poucos, com o uso desses critérios, os livros do Novo Testamento foram sendo agrupados até se chegar à coletânea completa de seus 27 livros.


BIBLIOGRAFIA PARA CONSULTA


GEISLER, Norman. NIX, William. Introdução Bíblica: Como a Bíblia Chegou até Nós. São Paulo: Vida. 1997.

GILBERTO, Antonio. A Bíblia Através dos Séculos. 15Ed. Rio de Janeiro: CPAD. 2004.

HALLEY, Henry H. Manual Bíblico: um comentário abreviado da Bíblia. São Paulo: Edições Vida Nova. 1994.

MACDOWELL, Josh. Evidências que Exigem um Veredito. 2Ed. São Paulo: Candeia. 1992.

PFEIFFER, Charles F. VOS, Howard F. REA, John. Dicionário Bíblico Wycliffe. Rio de Janeiro: CPAD. 2007.

TOGNINI, Éneas. BENTES, João Marques. Janelas Para o Novo Testamento. São Paulo: Hagnos. 2009.

Revista da Escola Bíblia Dominical, Nossa Doutrina, AIECB. Nº 01, Ano 2008.