O Pr. Gilson Soares dos Santos é casado com a Missionária Selma Rodrigues, tendo três filhos: Micaelle, Álef e Michelle. É servo do Senhor Jesus Cristo, chamado com santa vocação. Bacharel em Teologia pelo STEC (Seminário Teológico Evangélico Congregacional), Campina Grande/PB; Graduado em Filosofia pela UEPB (Universidade Estadual da Paraíba); Pós-Graduando em Teologia Bíblica pelo CPAJ/Mackenzie (Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper). Professor de Filosofia e Teologia Sistemática no STEC. Professor de Teologia Sistemática no STEMES, em Campina Grande - Paraíba. Pastor do Quadro de Ministros da Aliança das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil (AIECB). Pastoreou a Igreja Evangélica Congregacional de Cuité/PB, durante 15 anos (1993-2008). Atualmente é Pastor Titular da Igreja Evangélica Congregacional em Areia - Paraíba.

8 de julho de 2013

A revelação somente: o relacionamento entre fé e razão, em Kierkegaard

A REVELAÇÃO SOMENTE: O RELACIONAMENTO ENTRE FÉ E RAZÃO, EM KIERKEGAARD

Gilson Soares dos Santos

Sören Aabye Kierkegaard, filósofo dinamarquês, nascido em 5 de maio de 1813, tendo seu falecimento acontecido em 1855, é considerado por muitos historiadores como o primeiro representante da filosofia existencialista. Suas principais obras são “Diário de um Sedutor”, que retrata aquilo que Kierkegaard entende por modo de vida estético, “Temor e Tremor”, que é a reflexão do filósofo sobre a natureza da fé; e “Desespero Humano – Doença até à Morte”, uma dialética do desespero.

Na postagem de hoje, quero transcrever o que escreveu Norman L. Geisler e Paul D. Feinberg (1989, p. 202-203) sobre o relacionamento entre fé e razão, em Kierkegaard, pois, segundo os autores, quando se trata de qual método é uma fonte fidedigna da verdade, existem cinco categorias básicas: (1) A revelação somente; (2) A razão somente; (3) A revelação sobre a razão; (4) A razão sobre a revelação e (5) A revelação e a razão. Sendo que o filósofo Kierkegaard, conforme expõe Geisler e Feinberg (ibidem), encontra-se no grupo dos que defendem a primeira categoria: a revelação somente.

A seguir, o texto de Geisler e Feinberg:

Segundo Sören Kierkegaard (1813-1855), o pai do existencialismo moderno, a mente humana é totalmente incapaz de descobrir qualquer verdade divina. Há várias razões para a incapacidade da razão humana.

O estado caído do homem.

O homem está alienado, pelo pecado, de um Deus santo. Realmente, Deus é uma “ofensa” a homens que estão num estado perpétuo de rebelião contra Ele. O homem padece o que Kierkegaard chamava de “uma doença mortal” (o título de uma das suas obras). A própria natureza do pecado do homem torna impossível para ele conhecer a verdade acerca de um Deus pessoal, visto ser este o próprio Deus a quem está apaixonadamente desconsiderando ou rejeitando.

A transcendência de Deus.

O homem não pode conhecer qualquer verdade acerca de Deus porque Deus é “Totalmente Outro”. Deus não somente é uma ofensa à vontade do homem, como também Ele é um “paradoxo” à razão do homem. Embora Kierkegaard não alegue que o próprio Deus é absurdo ou irracional, mesmo assim, Deus é suprarracional, a verdade de Deus é paradoxal ou parece contraditória a nós. Porque Deus transcende totalmente a razão, ou está “além” dela, não há jeito da razão ir além de si mesma para Deus.

Nenhum papel positivo da razão

O melhor que a razão pode fazer é rejeitar o absurdo ou o irracional, mas isso não pode ser de qualquer ajuda positiva para tingir a verdade divina. A verdade cristã pode ser conhecida somente por aquilo que Kierkegaard chamava um “salto na fé”. Com isso quer dizer um puro ato da vontade contra probabilidades racionais cegantes. Logo, um crente pode ir além da razão para uma entrega pessoal a Deus pela fé somente. A ilustração que Kierkegaard dá desta consideração é a resposta de Abraão ao mandamento de Deus no sentido de sacrificar seu filho amado, Isaque. Pela fé somente, e sem qualquer justificativa ética ou racional, Abraão subiu de boa mente ao monte Moriá para sacrificar seu filho Isaque em obediência a Deus.

As provas são uma ofensa a Deus

Conforme Kierkegaard, qualquer tentativa racional no sentido de comprovar a existência de Deus é uma ofensa contra Deus. É como um amante que insiste em comprovar a existência de sua amada a outras pessoas enquanto a pessoa amada está presente. Realmente, ninguém sequer começa a comprovar Deus a não ser que já tenha rejeitado a presença de Deus na sua vida, diz Kierkegaard. As provas são desnecessárias para os que acreditam em Deus, e não convencem os que não acreditam. A única “prova” do cristianismo é o sofrimento, conforme Kierkegaard, pois Jesus disse: “Vem, toma a tua cruz, e segue-me” (Mc 10.21b.)

As evidências históricas não ajudam

Kierkegaard perguntou: A felicidade eterna pode ser baseada em eventos históricos? Sua resposta era um “não!” enfático e ressoante. O eterno nunca pode ser baseado no temporal. O melhor que o histórico pode fornecer é a probabilidade – mas o crente precisa da certeza antes de poder fazer o que Paul Tillich chamava “uma entrega definitiva ao ulterior”. Somente pela fé no Transcendente é que a pessoa pode transcender a probabilidade humana e histórica e encontrar Deus.

Como cristã,o Kierkegaard acreditava que Deus entrou no tempo em Cristo. Acreditava, também, que os eventos da vida de Cristo eram históricos. Inclusive Seu nascimento virginal, Sua crucificação, e Sua ressurreição corpórea. Mesmo assim, Kierkegaard acreditava que não havia meio algum de ter absoluta certeza que estes eventos realmente ocorreram. Além disto, Kierkegaard acreditava que a historicidade destes eventos não era nem sequer importante. O fato significante não é a historicidade de Cristo (em tempos passados), mas, sim, a contemporaneidade de Cristo (no presente) dentro do crente, pela fé.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

GEISLER, Norman L. FEINBERG, Paul D. Introdução à Filosofia – uma perspectiva cristã. São Paulo: Vida Nova, 1989. p. 202-203.