O Pr. Gilson Soares dos Santos é casado com a Missionária Selma Rodrigues, tendo três filhos: Micaelle, Álef e Michelle. É servo do Senhor Jesus Cristo, chamado com santa vocação. Bacharel em Teologia pelo STEC (Seminário Teológico Evangélico Congregacional), Campina Grande/PB; Graduado em Filosofia pela UEPB (Universidade Estadual da Paraíba); Pós-Graduando em Teologia Bíblica pelo CPAJ/Mackenzie (Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper). Professor de Filosofia e Teologia Sistemática no STEC. Professor de Teologia Sistemática no STEMES, em Campina Grande - Paraíba. Pastor do Quadro de Ministros da Aliança das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil (AIECB). Pastoreou a Igreja Evangélica Congregacional de Cuité/PB, durante 15 anos (1993-2008). Atualmente é Pastor Titular da Igreja Evangélica Congregacional em Areia - Paraíba.

13 de julho de 2013

O que a Bíblia diz sobre julgar os outros


O QUE A BÍBLIA DIZ SOBRE JULGAR OS OUTROS

Pr. Gilson Soares dos Santos

INTRODUÇÃO

O inimigo sempre usou a Bíblia, distorcendo textos, para enganar, pois é mentiroso e pai da mentira.

Ele distorceu a ordem que Deus havia dado a Adão e Eva, lá no Éden, e conseguiu, com isso, provocar a queda dos nossos primeiros pais. (Gn 3.1-5).

Na tentação de Cristo, o inimigo também usou as Escrituras, sempre com o propósito de prejudicar, mas Jesus também usou a Escritura contra o inimigo (Mt 4.5-7).

Ainda hoje, o inimigo continua distorcendo a Palavra dada por Deus, e seu propósito é sempre prejudicar.

Ultimamente, muita gente tem usado o texto de Mateus 7.1-5 para que ninguém fale contra seus pecados, pois, segundo essas pessoas, quem denuncia ou aponta o pecado do outro está julgando.

O inimigo tem usado esse tipo de artifício para que as pessoas se calem diante do pecado das outras.

Muitos têm dito que julgar os outros é falta de amor.

Será que é isso que a Bíblia ensina? Será não podemos julgar? Será que não podemos denunciar os pecados dos outros? Será que falar contra o pecado de alguém é falta de amor?

Vamos estudar um pouco sobre isto.

Vamos entender a diferença entre julgar e pregar contra o pecado.

PROPROSIÇÃO: O QUE A BÍBLIA DIZ SOBRE JULGAR OS OUTROS

I – ENTENDENDO O TERMO “JULGAR” NO DICIONÁRIO

Vejamos o que diz o Aurélio:

Julgar: 1. Decidir como juiz ou árbitro. 2. Dar sentença, sentenciar. 3. Supor, imaginar, conjeturar. 4. Formar opinião sobre; avaliar. 5. Dar, adjudicar. 6. Sentenciar, condenar.

Pelo exposto, julgar é decidir como juiz ou árbitro. É dar uma sentença. É também supor algo, imaginar algo.

Quando apontamos o pecado visível de alguém, não estamos dando uma sentença, estamos denunciando algo que está patente aos olhos de todos.

É diferente de supor, de imaginar. Estamos denunciando um pecado visível, aberto, manifesto.

Se julgar, segundo o dicionário, é também formar opinião sobre algo ou alguém, então todo mundo julgar, pois todo mundo tem sempre uma opinião formada sobre algo e sobre alguém.

II – O QUE A BÍBLIA DIZ SOBRE JULGAR OS OUTROS

1 – A Bíblia diz que o homem espiritual julga todas as coisas (I Co 2.15)

O texto está dizendo que o homem espiritual julga todas as coisas, ou seja, busca discernir todas as coisas.

A expressão aqui é que o homem espiritual questiona todas as coisas, segundo o que o Espírito lhe ensina.

Mas ele não é julgado por ninguém.

2 – A Bíblia diz que temos autoridade para julgar as coisas desta vida (I Co 6.1-5)

O texto nos mostra que os crentes devem julgar as causas internas da igreja.

Paulo pergunta: Não há nenhum sábio que possa julgar no meio da irmandade? Ele está admirado que não houvesse alguém para julgar. Isto quer dizer que os crentes devem julgar.

Paulo diz que iremos julgar até os anjos, e completa: “quanto mais as coisas desta vida!”.

3 – A Bíblia diz que devemos julgar (Jo 7.24)

Veja que a Bíblia diz que devemos julgar.

Porém, nosso julgamento não é segundo a aparência, mas pela reta justiça.

Qual é a reta justiça? A Palavra de Deus é a justiça mais reta que existe. Não há outra além dela, não há outra igual a ela.

Podemos julgar? Podemos. Desde que seja de acordo com a Palavra de Deus.

Jesus estava condenado os critérios injustos que eram usados para o julgamento. Mas acrescenta que podemos julgar, desde que usemos a justiça correta. Sabemos que a Palavra de Deus é a justiça correta.

Quando usamos a Palavra de Deus para julgar, sabemos que estamos fazendo o certo, pois a própria Palavra é quem julga. Leiamos João 12.48.

“Quem me rejeita e não recebe as minhas palavras tem quem o julgue; a própria palavra que tenho proferido, essa o julgará no último dia.” (Jo 12.48)

4 – Paulo conclamou os crentes de Corintos a julgar e sentenciar um caso de pecado que havia dentro da igreja (I Co 5.1-5)

Veja que, neste caso, Paulo convoca a igreja para julgar uma situação e ele mesmo diz, no verso 5, que já havia sentenciado.

Sentenciar é proferir julgamento.

III – ENTENDENDO O TEXTO DE MATEUS 7.1-5

1 – O texto está condenado o julgamento hipócrita.

O texto está condenando aquele que tenta tirar o argueiro no olho do irmão e esquece de tirar a trave que está no seu.

A cena de um homem com uma trave no olho tentando remover um cisco do olho de outro homem é, de fato, ridícula!

Quem não encara os próprios pecados com honestidade e não os confessa, torna-se cego e não pode ver claramente para ajudar seus semelhantes. Os fariseus viam os pecados dos outros, mas não conseguiam enxergar as próprias transgressões.

Isto significa que não pode apontar os pecados dos outros aquele que tem pecado semelhante ou maior.

O texto quer dizer que não adianta tentar corrigir os outros se primeiro não nos corrigirmos.

O que diz D. A. Carlson no Comentário Bíblico Vida Nova

Os v 1.5 advertem contra a atitude de criticar outras pessoas sem verificar primeiro se nós mesmos estamos abertos à crítica. E o ser julgado pode muito referir-se ao julgamento de Deus, como também ao de outras pessoas. O texto não diz que não podemos julgar. Veja que Jesus diz “Tira primeiro a trave do teu olho”. Isto quer dizer que se eu me corrijo, posso corrigir os outros. Se eu me julgo, posso julgar os outros. As Escrituras dizem, em I Co 11.31, que “se nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados.”.

Se eu julgo a mim mesmo e me corrijo, devo pregar contra o pecado dos outros para que venham ao arrependimento.

IV – POR QUE, MUITAS VEZES, É PRECISO JULGAR

1 – Para poder reprovar as obras das trevas (Ef 5.11-13)

Para que eu não seja cúmplice nas obras das trevas tenho que julgar, pois somente assim poderei reprova-las.

2 – Para que possa repreender meu irmão quando peca (Mt 18.15-17)

“15 Se teu irmão pecar, vai argui-lo entre ti e ele só. Se ele te ouvir, ganhaste a teu irmão. 16 Se, porém, não te ouvir, toma ainda contigo uma ou duas pessoas, para que, pelo depoimento de duas ou três testemunhas, toda palavra se estabeleça. 17 E, se ele não os atender, dize-o à igreja; e, se recusar ouvir também a igreja, considera-o como gentio e publicano.”

CONCLUSÃO

É preciso aprender que repreender alguém pelos seus pecados não é falta de amor nem julgamento.

Samuel repreendeu a Eli (I Sm 22.9);
Samuel repreendeu a Saul (I Sm 13.13);
Natã repreendeu a Davi (II Sm 12.7);
Elias repreendeu a Acabe (I Rs 21.20).