O Pr. Gilson Soares dos Santos é casado com a Missionária Selma Rodrigues, tendo três filhos: Micaelle, Álef e Michelle. É servo do Senhor Jesus Cristo, chamado com santa vocação. Bacharel em Teologia pelo STEC (Seminário Teológico Evangélico Congregacional), Campina Grande/PB; Graduado em Filosofia pela UEPB (Universidade Estadual da Paraíba); Pós-Graduando em Teologia Bíblica pelo CPAJ/Mackenzie (Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper). Professor de Filosofia e Teologia Sistemática no STEC. Professor de Teologia Sistemática no STEMES, em Campina Grande - Paraíba. Pastor do Quadro de Ministros da Aliança das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil (AIECB). Pastoreou a Igreja Evangélica Congregacional de Cuité/PB, durante 15 anos (1993-2008). Atualmente é Pastor Titular da Igreja Evangélica Congregacional em Areia - Paraíba.

17 de setembro de 2013

Culto transformado em show

CULTO TRANSFORMADO EM SHOW

Pr. Gilson Soares dos Santos

Sou um dos muitos descontentes com a banalização do culto. Percebo que muitos líderes, de maneira proposital, mudaram o padrão bíblico do culto que satisfaz a santidade de Deus para um modelo que satisfaz aos caprichos do homem, mudando até sua nomenclatura. O culto foi transformado em show.

Quero transcrever, na íntegra, o conteúdo da página 25, da Revista Ultimato, Número 295, Julho-Agosto de 2005, que trata sobre “Culto transformado em show”.

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Culto transformado em show

Os israelitas leram o Livro da Lei do Senhor durante três horas, e passaram outras três horas confessando os seus pecados e adorando o Senhor (Ne 9.3)

Não é apenas a mídia que está usando a palavra show para se referir a alguns cultos. Nós mesmos usamos esse termo em nosso meio. Uma de nossas revistas chama-se Show da Fé. As missas celebradas pelo padre Marcelo Rossi são usualmente denominadas de “showmissas”.

As palavras culto e show não combinam, a não ser que lhes demos significados modernos. O dicionário Aurélio define show como “um espetáculo de teatro, rádio, televisão etc., geralmente de grande montagem, que se destina à diversão, e com a atuação de vários artistas de larga popularidade, ou às vezes de um só”. Ora, nessa definição, nada combina com o significado de culto, que o mesmo dicionarista diz ser “adoração ou homenagem à divindade em qualquer de suas formas, e em qualquer religião”. “A igreja existe, não para oferecer entretenimento, encorajar vulnerabilidade, melhorar autoestima ou facilitar amizades, mas para adorar a Deus. Se falharmos nisso”, conclui Philip Yancey, “a igreja fracassa” (Igreja: Por Que me Importar, p. 25)

Outro dia, Silas Tostes, um dos organizadores do 4º Congresso Brasileiro de Missões, mostrou-se inseguro quanto ao número de participantes, por ser um congresso de missões e não um show de música gospel.

De fato, em muitas igrejas, o tempo destinado à exposição da Palavra é cada vez menor e o tempo reservado aos cânticos é cada vez maior. Em alguns cultos já não há lugar para o antigo sermão, nem para algum substituto dele. Assim como há geleia light, maionese light e pão light, temos o culto light (leve, ligeiro, alegre, jocoso etc.). Embora a música de adoração seja de suma importância e de fundamento bíblico (basta recordar o desempenho dos cantores e instrumentistas levitas), o papel da música religiosa hoje em dia não implica, obrigatoriamente, uma elevação da qualidade dos adoradores e do culto. A decadência do culto transformado em show leva obrigatoriamente a outros absurdos: certo “levita” explicou que o ministro de música (no caso, o tal artista de larga popularidade, da definição do Aurélio) “deve andar de carro novo e vestir-se elegantemente porque, afinal de contas, tem a responsabilidade de conduzir o povo ao trono de Deus em adoração”.

Por ocasião do avivamento acontecido em Jerusalém sob a liderança de Esdras e Neemias, logo após o retorno dos exilados, gastavam-se três horas para a leitura da Lei do Senhor e mais três horas para a confissão de pecados e adoração (Ne 9.1-5).