O Pr. Gilson Soares dos Santos é casado com a Missionária Selma Rodrigues, tendo três filhos: Micaelle, Álef e Michelle. É servo do Senhor Jesus Cristo, chamado com santa vocação. Bacharel em Teologia pelo STEC (Seminário Teológico Evangélico Congregacional), Campina Grande/PB; Graduado em Filosofia pela UEPB (Universidade Estadual da Paraíba); Pós-Graduando em Teologia Bíblica pelo CPAJ/Mackenzie (Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper). Professor de Filosofia e Teologia Sistemática no STEC. Professor de Teologia Sistemática no STEMES, em Campina Grande - Paraíba. Pastor do Quadro de Ministros da Aliança das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil (AIECB). Pastoreou a Igreja Evangélica Congregacional de Cuité/PB, durante 15 anos (1993-2008). Atualmente é Pastor Titular da Igreja Evangélica Congregacional em Areia - Paraíba.

3 de julho de 2012

Filosofia da Mente: Identidade Pessoal


Gilson Soares dos Santos

A filosofia da mente está repleta de questões muito interessantes, uma delas é a que diz respeito à identidade pessoal numérica, isto é, a identidade de uma coisa consigo mesma nos estágios sucessivos de sua existência. Em outras palavras, trata-se da “mesmidade” de uma pessoa no tempo. Tratemos a maneira como Cláudio Costa aborda o tema.

Identidade pessoal correlaciona-se a critérios de identidade pessoal, sendo estes os elementos essenciais para determinar se uma pessoa é a mesma nos estágios temporais de sua existência. Tais critérios devem ser distinguidos como critérios primários (constitutivos) e critérios secundários (sintomas).

Sobre os critérios de identidade pessoal existem dois grupos de teorias, as físicas e as psicológicas. As primeiras, conforme a própria palavra denuncia, sugerem que o critério para admitirmos que uma pessoa é a mesma está descrita em termos físicos; as segundas, por sua vez, propõem que os critérios para reconhecermos que uma pessoa é ela mesma devem ser descritos em termos mentais.
            
Pensemos que os critérios para reconhecermos uma pessoa nos diversos estágios de sua existência sejam por meio de sua aparência física. O que dizer sobre alguém que morreu? Dizemos que ele foi, nunca que ele é. Isso apenas prova que a aparência física torna provável a identidade pessoal, porém não a garante.
            
Seguindo ainda a teoria da aparência física, diríamos que o cérebro de uma pessoa é critério para identidade pessoal. Porém se fosse possível transportar o cérebro de um personagem A para a calota craniana vazia de um personagem B, qual seria a conclusão? A conclusão é que a permanência do cérebro é um sintoma que, embora tenha prioridade sobre o resto do corpo, não garante a identidade pessoal. Isso fica comprovado se colocarmos um cérebro humano de uma pessoa C preservado em formol, jamais diríamos do cérebro que é a pessoa C.
            
O comportamento externo não pode ser garantia de identidade pessoal, pois se fosse possível teletransportarmos alguém para um outro planeta, a continuidade física não garantiria a identidade pessoal verdadeira. Alguém dirá que para uma pessoa ser teletransportada (se isso fosse possível) é preciso deixar de existir, sendo sua nova materialização em ouro planeta considerada uma nova existência. Havendo então uma falha nos diferentes estágios temporais de uma pessoa o critério físico de identidade pessoal não se sustentaria.
            
Tratemos agora dos critérios psicológicos de identidade pessoal, que são os critérios mentais. O mais famoso é o da memória pessoal, atribuída a John Locke, que afirma o seguinte: a identidade de uma pessoa vai até à extensão de sua consciência, percorrendo a sequencia de suas memórias de experiências passadas. Isto quer dizer que sei que sou a mesma pessoa de foi a um circo aos quatro anos de idade, porque consigo lembra-me disso. Mas a permanência da memória não pode ser condição necessária para a identidade pessoal, pois uma pessoa que sofra um acidente e tenha perda de memória não deixará de ser ela mesma, embora não tenha uma sequencia de memórias de experiências passadas. Assim como uma falsa lembrança ou a recordação de eventos que nunca presenciamos não nos torna a pessoa da recordação.
           
Se a memória pessoa fosse perdida, mas outros traços psicológicos fossem mantidos, certamente a identidade pessoal seria preservada. Mas podemos afirmar que a memória pessoal também é indispensável, pois em alguns momentos precisaremos recorrer à ela.
            
É preciso admitir, então, que critérios psicológicos, por si só, não são capazes de identificação pessoal, da mesma forma que os critérios físicos sozinhos não são suficientes para determinar a identidade pessoal. É sugerido um critério misto de identidade pessoal, que usaria tanto as teorias físicas quanto as mentais. Os critérios físicos envolveriam continuidade substantiva e conexão física causal; os critérios mentais compreenderiam a persistência da personalidade e caráter e a persistência da memória proposicional e de habilidades. Se pelo menos um elemento de cada grupo (físico ou mental) estiver sendo suficientemente satisfeito teríamos a regra criterial para identificação pessoal.

Consideramos então que uma pessoa é a mesma quando são satisfeitos critérios de identidade pessoal, entendendo que a presença isolada de um único critério será sempre insuficiente.


BIBLIOGRAFIA

COSTA. Cláudio, Filosofia da Mente. Pag. 38-50. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor. 2005.