O Pr. Gilson Soares dos Santos é casado com a Missionária Selma Rodrigues, tendo três filhos: Micaelle, Álef e Michelle. É servo do Senhor Jesus Cristo, chamado com santa vocação. Bacharel em Teologia pelo STEC (Seminário Teológico Evangélico Congregacional), Campina Grande/PB; Graduado em Filosofia pela UEPB (Universidade Estadual da Paraíba); Pós-Graduando em Teologia Bíblica pelo CPAJ/Mackenzie (Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper). Professor de Filosofia e Teologia Sistemática no STEC. Professor de Teologia Sistemática no STEMES, em Campina Grande - Paraíba. Pastor do Quadro de Ministros da Aliança das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil (AIECB). Pastoreou a Igreja Evangélica Congregacional de Cuité/PB, durante 15 anos (1993-2008). Atualmente é Pastor Titular da Igreja Evangélica Congregacional em Areia - Paraíba.

2 de junho de 2014

Origens da filosofia

ORIGENS DA FILOSOFIA

Gilson Soares dos Santos

1 – A filosofia como criação do gênio helênico

“A filosofia, como termo ou conceito, é considerada pela quase totalidade dos estudiosos como criação própria do gênio dos gregos.” (REALE & ANTISERI, 2007, p.3).

“A filosofia foi criação do gênio helênico: não derivou aos gregos a partir de estímulos precisos tornados das civilizações orientais; do Oriente, porém, vieram alguns conhecimentos científicos, astronômicos e matemático-geométricos, que o grego soube repensar e recriar em dimensão teórica, enquanto os orientais os concebiam em sentido prevalentemente prático.” (idem).

            Giovani Reale e Dario Antiseri (2007, p. 4-5) nos dão algumas razões porque os estudiosos atribuem o início da filosofia aos gregos, negando qualquer indício de que ela tenha surgido no oriente:
a)     Na época clássica, nenhum dos filósofos ou dos historiadores gregos acena minimamente a pretensa origem oriental da filosofia.

b)    Está historicamente demonstrado que os povos orientais, com os quais os gregos tiveram contato, possuíam de fato uma forma de "sabedoria" feita de convicções religiosas, mitos teológicos e "cosmogônicos", mas não uma ciência filosófica baseada na razão pura (no logos, como dizem os gregos)

c)     Não temos conhecimento da utilização, por parte dos gregos, de qualquer escrito oriental ou de traduções desses textos.

d)    Admitindo que algumas ideias dos filósofos gregos possam ter antecedentes precisos na sabedoria oriental (mas isso ainda precisa ser comprovado), podendo assim dela derivar, isso não mudaria a substância da questão que estamos discutindo. Com efeito, a partir do momento em que nasceu na Grécia, a filosofia representou nova forma de expressão espiritual, de tal modo que, ao acolher conteúdos que eram fruto de outras formas de vida espiritual, ela os transformava estruturalmente, dando-lhes forma rigorosamente lógica.

2 – As formas da vida grega que prepararam o nascimento da filosofia

            O que preparou o caminho para a filosofia foram: 1) A poesia; 2) A religião; 3) As condições sociopolíticas.

1)     A poesia: Sobre a contribuição para o surgimento da filosofia, assim escreve Giovani Reale e Dario Antiseri (2007, p. 6-10):

“Antes do nascimento da filosofia, os poetas tinham importância extraordinária na educação e na formação espiritual do homem grego, muito mais do que tiveram entre outros povos. O helenismo inicial buscou alimento espiritual de modo predominante nos poemas homéricos, ou seja, na Ilíada e na Odisséia (que, conforme se sabe, exerceram nos gregos influência análoga a que a Bíblia exerceu entre os hebreus).”.

“Para os gregos também foi muito importante Hesíodo com sua Teogonia, que relata o nascimento de todos os deuses. E, como muitos deuses coincidem com partes do universo e com fenômenos do cosmo, a teogonia torna-se também cosmogonia, ou seja, explicação mítico-poética e fantástica da gênese do universo e dos fenômenos cósmicos.”

2)     A religião: Quanto à religião como contribuidora para o surgimento da filosofia, Reale e Antiseri (idem) escrevem:

“O segundo componente ao qual e preciso fazer referência para compreender a gêneses da filosofia grega, como já dissemos é a religião. Todavia, quando se fala de religião grega, é necessário distinguir entre a religião pública, que tem o seu modelo na representação dos deuses e do culto que nos foi dada por Homero, e a religião dos mistérios. Ambas as formas de religião são muito importantes para explicar o nascimento da filosofia, mas - ao menos em alguns aspectos - sobretudo a segunda.”

Religião Pública: “tudo o que acontece é explicado em função de intervenções dos deuses. Os fenômenos naturais são promovidos por numes: raios e relâmpagos são arremessados por Zeus do alto do Olimpo, as ondas do mar são provocadas pelo tridente de Poseidon, o sol é levado pelo áureo  carro de Apolo, e assim por diante. Mas também a vida social dos homens, a sorte das cidades, as guerras e a paz são imaginadas como vinculadas aos deuses.

Religião dos mistérios: “Nem todos os gregos consideravam suficiente a religião pública e, por isso, em círculos restritos, desenvolveram-se os "mistérios", com as próprias crenças específicas. Entre os mistérios, porém, os que mais influíram na filosofia grega foram os mistérios órficos (derivam seu nome do poeta Orfeu).”

“A religião órfica considera o homem de modo dualista: como alma imortal, concebida como demônio, que por uma culpa originaria foi condenada a viver em um corpo, entendido como tumba e prisão. Do Orfismo deriva a moral que põe limites precisos a algumas tendências irracionais do homem.”

3)     As condições socioeconômicas: Sobre isto, Reale e Antiseri (idem) escrevem:

“As condições socioeconômicas, conforme dissemos, favoreceram o nascimento da filosofia na Grécia, com suas características peculiares. Com efeito, os gregos alcançaram certo bem-estar e notável liberdade politica, a começar das colônias do Oriente e do Ocidente. Além disso, desenvolveu-se forte senso de pertença à Cidade, até o ponto de identificar o "indivíduo" com o "cidadão”, de ligar estreitamente a ética com a polÍtica.”

            Assim, nesse ambiente particular, nasceu a filosofia.


BIBLIOGRAFIA

REALE, Giovani; ANTISERI, Dario. História da Filosofia. Vol. I. São Paulo. Paulus. 2007.