O Pr. Gilson Soares dos Santos é casado com a Missionária Selma Rodrigues, tendo três filhos: Micaelle, Álef e Michelle. É servo do Senhor Jesus Cristo, chamado com santa vocação. Bacharel em Teologia pelo STEC (Seminário Teológico Evangélico Congregacional), Campina Grande/PB; Graduado em Filosofia pela UEPB (Universidade Estadual da Paraíba); Pós-Graduando em Teologia Bíblica pelo CPAJ/Mackenzie (Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper). Professor de Filosofia e Teologia Sistemática no STEC. Professor de Teologia Sistemática no STEMES, em Campina Grande - Paraíba. Pastor do Quadro de Ministros da Aliança das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil (AIECB). Pastoreou a Igreja Evangélica Congregacional de Cuité/PB, durante 15 anos (1993-2008). Atualmente é Pastor Titular da Igreja Evangélica Congregacional em Areia - Paraíba.

10 de julho de 2014

O problema do mal

O PROBLEMA DO MAL

Gilson Soares dos Santos

Apesar de toda cosmovisão ter de lidar com o problema do mal, o problema é mais relevante para o teísmo cristão. O problema do mal é um desafio sério para o cristianismo.

Nessa postagem, estarei trazendo um resumo sobre o problema do mal. É algo bem resumido, é claro, mas que trata um pouco sobre a questão.

1 – Quatro questões básicas para o problema do mal

     Segundo Franklin Ferreira e Alan Myatt (2007, p. 342):

Historicamente, ha quatro respostas básicas para o problema do mal:

A primeira é que Deus não existe e o mal não existe. Quase nenhum pensador mantém esta posição hoje, mas ela foi afirmada por Friedrich Nietzsche entre outros. O problema desta posição é que o ser humano não pode escapar da realidade do mal.

A segunda é que Deus não existe, mas o mal existe. Essa é a posição comum do ateísmo nas suas varias formas, como no humanismo, no positivismo, no marxismo e no existencialismo. O problema é que, assim, todo o mal é apenas uma percepção humana. No fim, o mal se torna algo totalmente relativo. Por exemplo, a partir desta posição, o que era o mal para os nazistas, não era o mal para os judeus e outras minorias que foram perseguidas por eles.

A terceira resposta é que Deus existe, mas o mal não existe. Esta é a resposta do panteísmo em suas diversas formas, como o hinduísmo e o budismo. Em última instância, tudo é Deus. Então, o mal não existe em sua essência. As coisas somente parecem, mas para o entendimento não-iluminado.

E, em quarto lugar, a última posição afirma que Deus existe e o mal também existe. Esta resposta pode incorrer em duas perspectivas deficientes. Uma delas seria o dualismo, que diz que há duas forças iguais e opostas em fluxo contínuo no universo. A outra é o finitismo, que nega um ou mais dos atributos de Deus, como por exemplo, sua onipotência, onisciência, imutabilidade, bondade ou amor. Alguns dizem que Deus é bom, mas não é onipotente, como no judaísmo contemporâneo, representado pelo Rabino Kushner, na teologia do processo, no mormonismo e entre os que ensinam a chamada teologia relacional. Para estes, Deus não controla o universo. Só que, como vimos anteriormente, o problema é que esta representação de Deus é inferior ao Deus revelado nas Escrituras. Outros têm dito que Deus é onipotente, mas não é completamente bom, como insistem alguns dos deístas. Mas isso significaria que Deus, como se revela nas Escrituras, se contradiz. Ele deixaria de ser santíssimo.

“Embora a Bíblia não seja especifica sobre a questão da origem do mal, parece que o mal entrou no universo através do exercício da agência dos seres pessoais, como Satanás e Adão. A capacidade de fazer escolhas que Deus criou era boa em si, refletindo sua própria imagem. “. (Idem, p.342).

2 – O Paradoxo de Epicuro

O Paradoxo de Epicuro é um dilema sobre o problema do mal, atribuído ao filósofo grego Epicuro (341-271 a.C.), que consiste no seguinte:

1 – Deus existe e quer acabar o mal, mas não pode fazê-lo? Então não é onipotente.

2 – Deus existe e pode acabar o mal, mas não quer fazê-lo? Então é malvado.

3 – Deus pode e quer acabar o mal, então por que permite sua existência?

4 – Deus pode e não quer acabar o mal, então por que chamá-lo Deus?

3 – Uma primeira explicação para a presença do mal no mundo

Para muitos, a resposta que deve ser dada ao Paradoxo de Epicuro está nas seguintes premissas:

1 – Deus criou toda substância.
2 – O mal não é uma substância (mas uma privação numa substância).
3 – Logo, Deus não criou o mal.

Vejamos como Norman Geisler (2002, p.535) expõe esse ponto de vista:

O mal não é uma substância, mas a corrupção das substâncias boas que Deus fez. O mal é como a ferrugem no carro ou a podridão na árvore. É a falta de coisas boas, mas não é algo por si só. O mal é como a ferida no braço ou furos de traça na roupa. Só existe em outra coisa, não sozinho.

Esse ponto de vista não nega a realidade do mal, mas descrê que ele (o mal) exista por si mesmo. Para existir, o mal depende de algo que foi criado.

4 – A resposta do Teísmo Cristão ao problema do mal no mundo

Vejamos as seguintes premissas:

1. Deus existe
2. Deus é onipotente
3. Deus é onisciente
4. Deus é onibenevolente
5. Deus criou o mundo e
6. O mundo contém o mal.

Para Epicuro, e muitos dos seus seguidores com o passar dos séculos, as premissas acima se contradizem.
  
Vejamos como Ferreira e Myatt (2007, p.344) explicam estas premissas do teísmo cristão:

A pergunta é uma só: “onde está a contradição aqui?” Como Ronald Nash disse, não há contradição entre qualquer uma dessas premissas, a menos que alguém introduza princípios ou definições dos termos empregados que não são necessários ao teísmo cristão. O cético responde: “Ora, certamente um ser onibenevolente não criaria um mundo onde o mal existe”. O cristão pode responder: “Mas quem foi que disse isso?” Não há nada na teologia cristã que sustente tal ponto. A Bíblia, que é a fonte da fé cristã, ensina exatamente o contrário. Assim, por que um cristão deveria aceitar a noção de que suas crenças são contraditórias, quando para se chegar a tal conclusão é necessário aceitar uma premissa alheia ao sistema cristão? Esta é uma exigência irracional por parte do cético.
[...] A Bíblia indica que há razões porque Deus permite que o mal continue temporariamente. Uma dessas razões é para que Deus possa mostrar misericórdia às pessoas más, dando-lhes uma oportunidade para se arrepender e mudar seus caminhos, antes de julgá-las. Essa última noção deveria fazer o crítico parar para pensar. Quando ele exige que Deus elimine o mal de imediato, ele deveria considerar se há ou não algum mal dentro de si mesmo. Uma exigência para que Deus elimine todo o mal de antemão poderia se tornar uma exigência para que Deus assim elimine o próprio cético também.

A resposta conclusiva para o problema do mal no mundo está nas seguintes premissas:

1 – Deus é absolutamente bom e deseja derrotar o mal.
2 – Deus é onipotente e é capaz de derrotar o mal.
3 – O mal ainda não foi derrotado.
4 – Portanto, um dia o mal será derrotado.

“O poder e perfeição infinitos de Deus garantem a derrota final do mal. O fato de não ter acontecido ainda não diminui de forma alguma a certeza de que o mal será derrotado. [...] O Deus teísta pode derrotar o mal, e fará isso. Sabemos disso porque ele é absolutamente bom e quer derrotar o mal. E, por ser onipotente, ele é capaz de derrotar o mal. Portanto, ele o fará. A garantia de que o mal será derrotado é a natureza do Deus teísta”. (GEISLER, 2002, p.537).



BIBLIOGRAFIA PARA CONSULTA


FERREIRA, Franklin; MYATT, Alan. Teologia sistemática: Uma análise histórica, bíblica e apologética para o contexto atual. São Paulo: Vida Nova, 2007.

GEISLER, Norman L. Enciclopédia de Apologética. São Paulo: Vida. 2002.

GEISLER, Norman L. FEINBERG, Paul D. Introdução à Filosofia: Uma perspectiva cristã.  Reimpressão. São Paulo: Vida Nova. 1989.

MORELAND, J. P. CRAIG, William Lane. Filosofia e Cosmovisão Cristã. São Paulo: Vida Nova. 2005.