O Pr. Gilson Soares dos Santos é casado com a Missionária Selma Rodrigues, tendo três filhos: Micaelle, Álef e Michelle. É servo do Senhor Jesus Cristo, chamado com santa vocação. Bacharel em Teologia pelo STEC (Seminário Teológico Evangélico Congregacional), Campina Grande/PB; Graduado em Filosofia pela UEPB (Universidade Estadual da Paraíba); Pós-Graduando em Teologia Bíblica pelo CPAJ/Mackenzie (Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper). Professor de Filosofia e Teologia Sistemática no STEC. Professor de Teologia Sistemática no STEMES, em Campina Grande - Paraíba. Pastor do Quadro de Ministros da Aliança das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil (AIECB). Pastoreou a Igreja Evangélica Congregacional de Cuité/PB, durante 15 anos (1993-2008). Atualmente é Pastor Titular da Igreja Evangélica Congregacional em Areia - Paraíba.

8 de agosto de 2013

O significado e finalidade da filosofia positiva de Augusto Comte


O SIGNIFICADO E FINALIDADE DA FILOSOFIA POSITIVA DE AUGUSTO COMTE
 
Gilson Soares dos Santos

Augusto Comte (1798-1857) é o autor do Curso de Filosofia Positiva (1830-1842), publicado em seis volumes. Diferentemente de Feuerbach e Marx, teólogos convertidos em ateus, Comte é um cientista ou matemático. Em seu Curso de filosofia positiva apresenta a lei dos três estados, a lei fundamental, que consiste em que cada ramo do conhecimento passa, necessária e sucessivamente, por três estados teóricos, a saber, o estado teológico ou fictício, o estado metafísico ou abstrato e o estado científico ou positivo. Podemos dizer que o espírito humano emprega três tipos de filosofias ou três métodos de filosofar. Esta lei é, em síntese, a pedra de sustentação da filosofia de Comte. Em o Curso de filosofia positiva, Augusto Comte visa instituir uma filosofia positiva, através de fatos observáveis na experiência, como única da verdade.

Comte, já em sua primeira lição do Curso, declara como chegou à lei fundamental ou lei dos três estados. Para ele, foi estudando o desenvolvimento da inteligência humana, desde sua primeira manifestação até seus dias que chegou à lei fundamental, que lhe pareceu bem estabelecida, seja na base de provas racionais, seja na base de verificações históricas, por meio dum exame do passado. Ele destaca, então, o valor da lei dos três estados para o desenvolvimento de toda a história da humanidade. No estágio teológico os fenômenos são vistos como “produto da ação direta e contínua de agentes sobrenaturais mais ou menos numerosos”. No estado metafísico, os agentes sobrenaturais são substituídos por forças abstratas. No Estado positivo o espírito humano reconhecendo a impossibilidade de obter conhecimentos absolutos renuncia as inquietações sobre a origem e o destino do universo.

Para Comte, o primeiro é um ponto de partida, o segundo serve unicamente como transição, o terceiro, por sua vez, é o estado físico e definitivo.

No estado teológico, os fenômenos são interpretados como sendo a ação direta de agentes pessoais e sobrenaturais. O mundo torna-se compreensível, para conhecimentos absolutos, somente por meio da ação desses seres sobrenaturais (deuses e espíritos) cuja ação, arbitrária segundo Comte, explica todas as anomalias do universo. Para além desses seres, o homem não coloca nenhum problema, pois sente-se satisfeito com a crença da intervenção do sobrenatural para a compreensão dos fenômenos em sua volta.

No estado metafísico, que para Comte é apenas uma modificação do primeiro, os agentes sobrenaturais são substituídos por forças abstratas, porém o propósito é o mesmo, buscar soluções absolutas para os problemas do homem. Para Comte, no estado metafísico tais forças abstratas seriam capazes de, por elas próprias, produzir todos os fenômenos observados, determinando para cada um uma entidade que lhe correspondesse. O estado metafísico está ligado ao teológico, mas se caracteriza, no entender de Comte, pela dissolução do mesmo.

No estado positivo, o espírito humano, reconhecendo sua impossibilidade de alcançar noções absolutas renuncia as indagações sobre sua origem e o destino do universo e preocupa-se, unicamente, em descobrir suas leis efetivas, suas relações de sucessão e semelhança. A explicação dos fatos se resume na ligação que há entre os diversos fenômenos particulares e alguns fatos gerais.

Para Comte, os estados teológico, metafísico e positivo, aplicam-se ao desenvolvimento de toda a história da humanidade, mas aplica-se também à vida dos indivíduos particularmente, pois na infância temos o estado teológico, na juventude o estado metafísico e na maturidade o estado positivo. No desenrolar da história, para passar da filosofia provisória (teológica) para a filosofia definitiva (positiva), o espírito humano necessita adotar a filosofia transitória (metafísica), porque o caminhar da humanidade não podia passar bruscamente da filosofia teológica para a filosofia positiva. A ação sobrenatural no estudo dos fenômenos foi substituída pela consideração tão somente dos fatos.

Para Comte, entendido isto, é preciso, agora, determinar com precisão a própria natureza da filosofia positiva. Agora que os métodos teológicos e metafísicos não são mais empregados, nem como meios de investigação nem como meios de argumentação, ele prossegue mostrando que o caráter fundamental da filosofia positiva é tomar todos os fenômenos como sujeitos a leis naturais invariáveis. Ele cita, preliminarmente, quatro categorias principais de fenômenos naturais, a saber, astronômicos, físicos, químicos e fisiológicos.

Para Comte, há uma lacuna essencial concernente aos fenômenos sociais deixada pelas categorias de fenômenos naturais (astronômicos, físicos, químicos e fisiológicos), esta lacuna diz respeito aos fenômenos sociais. Para que não sejam utilizados os fenômenos teológicos e metafísicos, nesta ou naquela direção, a maior e mais urgente necessidade é, então, preencher esta lacuna. É preciso fundar a física social, é este o primeiro objetivo do curso de filosofia positiva, sua meta especial. Para a filosofia positiva se consolidar é preciso fundar a física social. Existirão agora cinco categorias. Todos os fenômenos observáveis entrariam numa das cinco grandes categorias: astronômicos, físicos, químicos, fisiológicos e sociais.

Definida a meta especial do curso, a fundação da física social, Comte vai expor que sua pretensão não é aplicar um curso de física social. A partir disto, ele parte para o segundo objetivo, o fim geral.

Comte parte para o segundo objetivo do curso, um resumo do conhecimento das leis principais dos fenômenos anteriores que influenciam de maneira direta os fatos sociais. A fundação da física social completa o sistema das ciências naturais. Agora é preciso reunificar os saberes científicos, apresentando-os como diversos ramos ligados a um único tronco, evitando considerá-los isoladamente. Todos estariam ligados à filosofia positiva.

Augusto Comte apresenta as vantagens da filosofia positiva, dentre elas, a de fornecer o único verdadeiro meio racional de pôr em evidência as leis do espírito humano.

Comte pretendeu em seu Curso de filosofia seguir uma linha de raciocínio que pudesse levar ao entendimento de que somente a filosofia positiva poderia imperar entre os homens desembocando numa sociologia que modificasse os processos de modificação da sociedade, facilitando a reforma das instituições.

BIBLIOGRAFIA

COMTE. Augusto, Curso de Filosofia Positiva. Pag. 4-20. Tradução: José Arthur Giannotti São Paulo: Abril Cultural. 1978.