O Pr. Gilson Soares dos Santos é casado com a Missionária Selma Rodrigues, tendo três filhos: Micaelle, Álef e Michelle. É servo do Senhor Jesus Cristo, chamado com santa vocação. Bacharel em Teologia pelo STEC (Seminário Teológico Evangélico Congregacional), Campina Grande/PB; Graduado em Filosofia pela UEPB (Universidade Estadual da Paraíba); Pós-Graduando em Teologia Bíblica pelo CPAJ/Mackenzie (Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper). Professor de Filosofia e Teologia Sistemática no STEC. Professor de Teologia Sistemática no STEMES, em Campina Grande - Paraíba. Pastor do Quadro de Ministros da Aliança das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil (AIECB). Pastoreou a Igreja Evangélica Congregacional de Cuité/PB, durante 15 anos (1993-2008). Atualmente é Pastor Titular da Igreja Evangélica Congregacional em Areia - Paraíba.

1 de maio de 2016

Dia do Trabalho: um pequeno Trabalho sobre o Trabalho


DIA DO TRABALHO: UM PEQUENO TRABALHO SOBRE O TRABALHO

Pr. Gilson Soares dos Santos

Hoje é Dia do Trabalho. Hoje é Dia do Trabalhador. Fiz uma pequena consulta a Enciclopédia Histórico Teológica da Igreja Cristã e encontrei esse verbete sobre o Trabalho. Aproveito para postá-lo aqui.

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TRABALHO

Em todas as partes da Bíblia há muitas referências ao trabalho, sendo que as palavras usadas para designá-lo são divididas em duas classes. Há o termo que não tem nenhuma implicação moral nem física, como, por exemplo, quando Deus trabalha na Criação, ou quando há uma referência geral aos trabalhos do homem nesta vida. bfíS'ká (Gn 2.2; Ex 20.9; 1 Cr 4.23; Ag 1.14) emaaèeh (Gn 5.29; Ex 5.13; Pv 16.3; Ec 1.14) em hebraico e ergon em grego são as palavras usuais empregadas com esse propósito. Há, no entanto, outras palavras - /®g/a' (Gn 31.42; Dt 28.33; SI 128.2; Is 55.2; Ez 23.29) e (SI 90.10; Ec 1.3; 2.10; Jr 20.18) no AT, e kopos no NT (Mt 11.28; Jo 4.38; 1 Co 4.12; 15.58; 1 Ts 1.3; 2 Ts 3.8) que subentendem canseira, luta e tristeza.

O trabalho e a labuta nunca são considerados maus em si mesmos; pelo contrário, são considerados a ocupação mental do homem no mundo. Mesmo no seu estado de inocência, 0 homem, como o ápice da Criação, o representante de toda a Criação diante de Deus (Gn 2.15ss.), recebeu o trabalho para realizar como parte da sua existência normal. Esse fato é contrário a boa parte do pensamento moderno que adota a atitude de que o homem deve considerar o trabalho como coisa maligna que precisa, se possível, ser evitado.

A Bíblia repete continuamente, ao mesmo tempo, que o pecado do homem corrompeu e degradou o trabalho. Gn 3.17-18 declara especificamente que o trabalho, por causa do pecado, muda de caráter e se torna a causa da desintegração física final do homem. Parece ser essa a razão pela qual o trabalho, em trechos subsequentes da Bíblia, frequentemente incorpora a idéia da fadiga. De fato, é esse o tema de Eclesiastes, onde o pregador declara que todo o trabalho que 0 homem realiza debaixo de sol é vaidade. O homem, sendo pecador, trabalha visando exclusivamente alvos mundanos, e o resultado é um senso de frustração e desespero, porque ele acabará desaparecendo desta terra e seu trabalho com ele (Ec 2). Somente quando ele interpretar o seu trabalho à luz da eternidade é que sua compreensão desse fato irá mudar.

Porém, mesmo o homem pecaminoso possui grandes dons e capacidades com que pode subjugar e usar o mundo físico. Em Ex 31.1ss.; Jz 3.10 (cf. também Is 45); e muitos outros lugares é declarado que o Espírito Santo dá essas capacidades aos homens. Além disso, é declarado que certos personagens no AT receberam dons especiais de Deus que os qualificariam para realizar o seu trabalho: os Juizes, Saul e até mesmo o rei pagão Ciro (Jz 3.10; 1 Sm 10.6-7; Is 45). Os escritores do NT subentendem o ponto de vista do AT, mas 0 ressaltam especificamente em conexão com os dons e as capacidades que os membros da igreja possuem (1 Co 12; Ef 4.11 ss.). Além disso, enfatizam continuamente que Deus chama todos os homens para trabalhos e posições na vida por meio dos quais devem servi-IO. Embora essa doutrina apareça no AT, como no caso de Ester (Et 4.13-14), 0 apóstolo Paulo a repete com grande freqüência nos seus escritos (Ef 6.5ss.; 1 Tm 6.1-2; Fm).

O trabalho, no entanto, mesmo quando um homem é ricamente dotado, não poderá ser outra coisa senão algo vazio em última análise, a não ser que ele reconheça que o seu verdadeiro propósito é glorificar a Deus. Paulo deixa bem clara essa doutrina ao falar tanto aos servos como aos senhores (Ef 6.5ss.; 1 Tm 6.1-2), resumindo tudo nas suas instruções aos cristãos: “sede fervorosos de espírito, servindo ao Senhor” (Rm 12.11) e na sua exaltação: "Fazei tudo para a glória de Deus" (1 Co 10.31).
           
Na prática, esse conceito de trabalho significa que o cristão sempre deve considerar o seu trabalho como uma tarefa divinamente determinada, na qual, ao cumprir a sua vocação, está servindo a Deus. Dele é exigido, portanto, que seja honesto e diligente em tudo quanto fizer, quer seja empregado, quer seja patrão. É essa a lição central na Parábola dos Talentos (Mt 25.15). Se ele for empregado, terá de ser fiel e obediente, fazendo todas as coisas como ao Senhor (Ef 6.5ss.), ao passo que, se for patrão, Deus colocará sobre ele a responsabilidade de tratar os empregados com justiça e consideração. Deve pagá-los adequadamente e não defraudá-los do seu salário, “porque digno é o obreiro do seu salário” (Lv 19.13; Dt 24.14; Am 5.8ss.; Lc 10.7; Cl 4.1; Tg 5.4-5). Todo o trabalho honesto, portanto, é honroso e deve ser realizado como uma comissão divina para a glória eterna de Deus (Ap 14.13).

W. S. REID

FONTE:
ELWELL, Walter A. Enciclopédia Histórico Teológica da Igreja Cristã. São Paulo: Vida Nova. Volume Único. 2009. p.545.