O Pr. Gilson Soares dos Santos é casado com a Missionária Selma Rodrigues, tendo três filhos: Micaelle, Álef e Michelle. É servo do Senhor Jesus Cristo, chamado com santa vocação. Bacharel em Teologia pelo STEC (Seminário Teológico Evangélico Congregacional), Campina Grande/PB; Graduado em Filosofia pela UEPB (Universidade Estadual da Paraíba); Pós-Graduando em Teologia Bíblica pelo CPAJ/Mackenzie (Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper). Professor de Filosofia e Teologia Sistemática no STEC. Professor de Teologia Sistemática no STEMES, em Campina Grande - Paraíba. Pastor do Quadro de Ministros da Aliança das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil (AIECB). Pastoreou a Igreja Evangélica Congregacional de Cuité/PB, durante 15 anos (1993-2008). Atualmente é Pastor Titular da Igreja Evangélica Congregacional em Areia - Paraíba.

15 de abril de 2015

Duas características fortes da pregação puritana


DUAS CARACTERÍSTICAS FORTES DA PREGAÇÃO PURITANA

Pr. Gilson Soares dos Santos

Admito: a pregação puritana mexe muito comigo. É difícil não chorar, porque dá pra sentir Deus mais perto da gente. Quando leio uma pregação de um puritano escuto fortemente Deus falando comigo. Sou pastor e sinto fortemente que Deus fala comigo quando leio “O pastor aprovado” de Richard Baxter, que recebi de presente da minha irmã Kátia Santos no dia da minha ordenação ao sagrado ministério.

De fato, a pregação puritana tem tido um impacto grande em minha vida. O que mais mexe comigo na pregação puritana é sua base nas Escrituras e seu conteúdo doutrinário. Por isso trago uma postagem, extraída do Livro “A Tocha dos Puritanos – Evangelização Bíblica”, de autoria de Joel R. Beeke, da Editora PES. O tema é “Característica da Pregação Puritana – Contraste com a Evangelização Moderna”, onde o autor apresenta duas características fortes da pregação puritana.

Boa leitura.

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CARACTERÍSTICA DA PREGAÇÃO PURITANA – CONTRASTE COM A EVANGELIZAÇÃO MODERNA

 Joel R. Beeke

1 – Sermões extensamente baseados nas Escrituras

Os puritanos, por serem profundamente embasados nas Escrituras Sagradas, apresentavam sermões extensamente baseados nas Escrituras. Para o puritano, o sermão nunca estava só ligado às Escrituras, mas ele saía e crescia de dentro da Palavra de Deus. Para o pregador puritano o texto não estava no sermão, mas o sermão estava no texto. Por isso, um velho membro de uma igreja puritana poderia dizer: "Ouvir um sermão, para mim, é como estar dentro da Bíblia".

Se você abrir um livro de sermões puritanos, encontrará de dez a quinze versículos citados em cada página, além de encontrar dez a doze referências textuais. Os pastores puritanos sabiam como usar suas Bíblias. Eles viviam e respiravam os textos da Palavra de Deus. Eles tinham centenas e até milhares de textos das Escrituras memorizados e sabiam como citá-los para os problemas da alma ou para qualquer outro problema pessoal. Eles usavam as Escrituras de forma sábia, não passando por elas de forma superficial, porém trazendo o texto e fazendo-o permanecer de acordo com a doutrina que estava sendo enfocada. Os sermões evangelísticos de hoje muitas vezes são perturbadores, não porque não citem as Escrituras, mas porque o fazem de modo repetitivo, superficial. Quando alguém saía da igreja, após um sermão puritano, nunca esquecia o texto que fora usado, pois aquele texto lhe fora colocado inteiramente aberto, tendo sido levado até o seu coração.

Hoje, na evangelização moderna, temos toda razão para ficarmos perturbados quando testemunhamos que há uma seleção muito pequena dos textos bíblicos utilizados, além de textos que são tirados do seu contexto bíblico. Nós pregadores sabemos que podemos citar uma porção de textos sem estarmos sendo bíblicos nestas citações. Uma sequência de textos intercalados por anedotas não faz, de maneira alguma, com que um sermão seja bíblico em si.

Os puritanos acreditavam fortemente em Sola Scriptura. Você pode procurar nos seus escritos e sermões, qualquer história ou referência pessoal e não as encontrará. Pelo fato de pensarem que o púlpito era um lugar de grande importância, este não podia ser degenerado com uma pregação egocêntrica. Eles sabiam que só uma coisa pode salvar pecadores: o Espírito Santo ligando-Se à semente incorruptível da Palavra de Deus. Por isso a tarefa deles era exatamente expor a Palavra de Deus incorruptível, orando para que o Espírito a aplicasse aos corações dos ouvintes.

Se estamos convencidos de que conhecemos bem as nossas Bíblias e abrirmos um livro puritano, logo ficaremos muito humilhados. Eles foram gigantes espirituais nas Escrituras e nós somos anões, pigmeus perante eles. Por isso é muito importante lermos os puritanos. Eles são nossos mentores para nos ensinar como usar a Bíblia de uma forma pastoral, evangelística e na nossa pregação. Você sem dúvida seria um evangelista mais sábio e útil se buscasse mais as Escrituras como faziam os puritanos. Ame a Palavra de Deus de maneira mais calorosa. Pesquise a Palavra de Deus em suas devoções pessoais. Busque a bênção de pensar biblicamente, de falar biblicamente, viver biblicamente e perceberá que sua palavra contém uma autoridade divina. Você não precisará persuadir as pessoas pela sua personalidade ou por você mesmo, mas a Palavra de Deus é que vai persuadi-las. A Palavra quando exposta, passo a passo, abre as Escrituras perante nós. Esse é o primeiro ponto da pregação puritana. Eram profundamente bíblicos.

2 – O pregador puritano era doutrinador

A mensagem puritana não pedia desculpas por apresentar doutrina. O puritano não temia pregar todo o conselho de Deus para o povo. Os puritanos achavam que você não podia contar uma história qualquer, sem que esta tivesse doutrina. Doutrina é simplesmente a apresentação das verdades de Deus trazidas das Escrituras numa forma que pode ser entendida e que se relaciona com as nossas vidas. Não diluíam suas mensagens com anedotas, humor, histórias triviais e levianas durante a pregação. Eram profundamente sérios, verdadeiros e austeros no púlpito, pois sabiam que ao chegar ali estariam lidando com verdades eternas e almas eternas. Sentiam a realidade solene do seu chamado divino. Pregavam a verdade de Deus como um homem que está morrendo para homens que estão morrendo.