O Pr. Gilson Soares dos Santos é casado com a Missionária Selma Rodrigues, tendo três filhos: Micaelle, Álef e Michelle. É servo do Senhor Jesus Cristo, chamado com santa vocação. Bacharel em Teologia pelo STEC (Seminário Teológico Evangélico Congregacional), Campina Grande/PB; Graduado em Filosofia pela UEPB (Universidade Estadual da Paraíba); Pós-Graduando em Teologia Bíblica pelo CPAJ/Mackenzie (Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper). Professor de Filosofia e Teologia Sistemática no STEC. Professor de Teologia Sistemática no STEMES, em Campina Grande - Paraíba. Pastor do Quadro de Ministros da Aliança das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil (AIECB). Pastoreou a Igreja Evangélica Congregacional de Cuité/PB, durante 15 anos (1993-2008). Atualmente é Pastor Titular da Igreja Evangélica Congregacional em Areia - Paraíba.

17 de janeiro de 2013

O deus imanente de Baruch Espinosa


O DEUS IMANENTE DE BARUCH ESPINOSA

Gilson Soares dos Santos


Um dos grandes pensadores racionalistas do século XVII foi Baruch Espinosa, que nasceu em Amsterdã, Holanda, em 1632 e morreu em 1677. Filho de uma família de imigrantes judeus, Espinosa foi educado dentro da tradição judaica, mas foi expulso da comunidade judaica por ter abraçado correntes dissidentes do judaísmo, chegando a ser deserdado pela própria família aos 24 anos de idade, por isso teve que fugir e trabalhar como polidor de lentes para manter-se financeiramente. Sua concepção sobre Deus era panteísta, pois cria num Deus tão imanente que chegou a afirmar que Deus e a natureza são a mesma coisa. É sobre o pensamento de Espinosa a respeito de Deus que iremos tratar, de maneira sucinta, porém suficiente para que tenhamos uma noção do pensamento e ensino deste filósofo racionalista.

Espinosa discordava da ideia de um Deus transcendente, superior a tudo, fora e além do mundo, pois, para ele, separar Deus do mundo é admitir duas substâncias, e isso já seria uma incompatibilidade com a própria definição de substância. No seu entender substancia “é o que existe em si e por si é concebido, isto é, aquilo cujo contexto não carece do conceito de outra do qual deva ser formado”. Para ele, só há uma substância, Deus, que “existe em si e por si é concebido”. Se assim é, então a natureza não pode ser outra substância separada de Deus. Logo, para o filósofo, Deus e a natureza são a mesma coisa. No entender de Espinosa a natureza é a manifestação da única substância existente: Deus.

Por manter essa concepção, Espinosa é chamado de monista, pois, segundo ele, a realidade é composta de uma substância única. Ele também é considerado panteísta quando defende que “tudo é Deus”, “Deus é tudo”. O panteísmo é uma corrente que identifica Deus em todas as coisas, defendendo que “tudo é Deus”. (do grego pan = tudo; théos = Deus). Deus se manifesta em tudo o que existe no mundo, em cada criatura em particular, em cada fenômeno, tudo é a manifestação de Deus e de seus atributos.

O Deus de Espinosa é imanente, porém sua imanência não significa, segundo o filósofo, que Deus interage com o mundo, para ele, Deus é o próprio mundo, Deus é a própria natureza. Deus se manifesta através de leis naturais. Ele identifica Deus em todas as coisas e confunde o Criador com a criação.

O pensamento de Espinosa vai de encontro (contra) ao ensinamento bíblico exposto pelo apóstolo Paulo quando afirma que os homens transformaram a verdade Deus em mentira e adoraram e serviram a criatura em lugar do Criador, conforme registrado na Bíblia, na carta do apóstolo aos romanos (Rm 1.25). Em outras palavras, o apóstolo está afirmando que o Criador é uma coisa, é digno de adoração, a criação é outra coisa distinta, que não merece adoração. O ensino de Espinosa fere o ensino bíblico.

O que podemos concluir sobre a crença de Espinosa em Deus é que o deus de Espinosa não é o Deus revelado nas Escrituras do Antigo Testamento e do Novo Testamento. O deus de Espinosa é de substância igual ao universo, seu pensamento descamba num panteísmo dedutivo e racionalista que foge ao ensinamento bíblico, pois apresenta um deus que não existe além do universo.