O Pr. Gilson Soares dos Santos é casado com a Missionária Selma Rodrigues, tendo três filhos: Micaelle, Álef e Michelle. É servo do Senhor Jesus Cristo, chamado com santa vocação. Bacharel em Teologia pelo STEC (Seminário Teológico Evangélico Congregacional), Campina Grande/PB; Graduado em Filosofia pela UEPB (Universidade Estadual da Paraíba); Pós-Graduando em Teologia Bíblica pelo CPAJ/Mackenzie (Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper). Professor de Filosofia e Teologia Sistemática no STEC. Professor de Teologia Sistemática no STEMES, em Campina Grande - Paraíba. Pastor do Quadro de Ministros da Aliança das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil (AIECB). Pastoreou a Igreja Evangélica Congregacional de Cuité/PB, durante 15 anos (1993-2008). Atualmente é Pastor Titular da Igreja Evangélica Congregacional em Areia - Paraíba.

14 de março de 2013

Kant e a religião



KANT E A RELIGIÃO

Gilson Soares dos Santos

Muita gente, até estudantes de filosofia, desconhece que Immanuel Kant (1724-1804) tratou sobre religião. Certamente, por desconhecerem sua obra A religião nos limites da simples razão, publicada em 1794. Porém ninguém deve imaginar que o tratado de Kant sobre religião é algo superficial, pois ele a coloca dentro da filosofia crítica. Por isso, o filósofo aborda em sua obra a metafísica, os limites da razão, Deus, imortalidade, liberdade, principalmente as figuras predominantes na religião, ou seja, o dualismo "bem e mal", entre outros.

De cara, é preciso perceber que Kant transmigra o lugar da discussão para o domínio prático da razão, de modo que tudo o que envolve a religião deve ser visto a partir da exigência prático-moral. A religião torna-se dependente da moral. A intenção de Kant é submeter a religião ao exame racional. Deus, a alma, a liberdade, o bem, o mal, o culto, a igreja, a fé, tudo deve ser tomado a partir dos recursos da simples razão. O projeto do filósofo é colocar a razão como faculdade capaz de orientar a busca, orientando a ação moral e a fé.

Kant, em sua obra, reconhece que a religião tem um efeito poderoso na formação da moral do indivíduo, bem como na coletividade. Chegou até a defender que o ensino do catecismo tivesse função moral. Porém a religião que ele apresenta e que serve para nortear-nos em todas questões é a "religião subjetivamente considerada" que é o conhecimento de todos os nossos deveres como mandamentos divinos.

Para Kant, razão e fé são cúmplices, e esta cumplicidade é necessária. A razão quer reconhecer o núcleo racional da religião. A religião deve manter-se no domínio dos limites da razão, pois, somente assim, haverá um estreitamento entre o âmbito religioso e o ético.

A Religião nos limites da simples razão é o escrito principal de Kant sobre a religião, porém, não é o único, pois, Deus sempre ocupou um lugar privilegiado na filosofia kantiana.