O Pr. Gilson Soares dos Santos é casado com a Missionária Selma Rodrigues, tendo três filhos: Micaelle, Álef e Michelle. É servo do Senhor Jesus Cristo, chamado com santa vocação. Bacharel em Teologia pelo STEC (Seminário Teológico Evangélico Congregacional), Campina Grande/PB; Graduado em Filosofia pela UEPB (Universidade Estadual da Paraíba); Pós-Graduando em Teologia Bíblica pelo CPAJ/Mackenzie (Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper). Professor de Filosofia e Teologia Sistemática no STEC. Professor de Teologia Sistemática no STEMES, em Campina Grande - Paraíba. Pastor do Quadro de Ministros da Aliança das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil (AIECB). Pastoreou a Igreja Evangélica Congregacional de Cuité/PB, durante 15 anos (1993-2008). Atualmente é Pastor Titular da Igreja Evangélica Congregacional em Areia - Paraíba.

22 de outubro de 2012

Diálogos Com o Pr. Gilson sobre Blaise Pascal


DIÁLOGOS COM O PR. GILSON SOBRE BLAISE PASCAL

Gilson Soares dos Santos

Blaise Pascal, matemático, cientista e filósofo francês, nasceu em Clermont em 1623 e morreu em 1662. Foi o inventor da calculadora. O que chama a atenção em Pascal é sua defesa da fé em Deus, uma fé ligada ao cristianismo, chegando a elaborar um projeto de uma Apologia ao Cristianismo, cujos fragmentos estão ordenados em os pensamentos. É dele a frase “O coração tem razões que a própria razão desconhece”.
   
Quero, nesta postagem, em forma de uma conversa, trazer um pouco sobre o filósofo Blaise Pascal. Os nomes das personagens abaixo, Theo, Filó e Sofia, são, é claro, fictícios. Porém o assunto sobre Pascal é verdadeiro.

THEO: Gostaria que o senhor, Pr. Gilson, em rápidas palavras, levantasse a biografia de Blaise Pascal. É possível?

PR. GILSON: Eu posso dizer que ele era francês, nasceu em Clermont em 1623 e morreu em 1662. Era um filósofo, considerado cristão, e muito inteligente. Mas quem melhor descreve Pascal é a sua irmã Gilberte Périer, que foi quem escreveu a biografia de Pascal. Ela diz sobre ele o seguinte: “Tão logo meu irmão alcançou a idade da razão, deu sinais de inteligência extraordinária, seja com pequenas respostas dadas a propósito de diversas coisas, seja com certas perguntas sobre a natureza das coisas que surpreendiam a todos.”. Gilberte, a irmã de Pascal, diz que ele nunca foi ao colégio, mas foi educado por seu pai, o senhor Etiene Pascal.

FILÓ: O que havia de tão especial em Pascal para deixar sua irmã admirada?

PR. GILSON: Pascal com 16 anos de idade completou um tratado original sobre as seções cônicas, contribuiu para o desenvolvimento do cálculo diferencial e originou a teoria matemática da probabilidade. Com 18 anos inventou a máquina aritmética, a primeira calculadora, e com 23 anos inventou a experiência do vazio, demonstrando que todos os fenômenos até então atribuídos ao vazio são, ao contrário, causados pelo peso do ar.

SOFIA: O que são seções cônicas?

PR. GILSON: Seção cônica “é um corte em cones completos por meio de um plano paralelo, não-paralelo ou perpendicular ou a um plano de referência. Estas seções geram as curvas cônicas nas interseções da superfície do cone com os planos cortantes.” Eu acho melhor a gente não ir atrás desses detalhes no estudo de Pascal, a gente pode perder o foco.

SOFIA: Concordo. Essa definição quase me dá um nó na mente.

FILÓ: Eu li um artigo sobre uma tal “aposta de Pascal”, e li que essa é a parte mais importante de sua filosofia. É verdade? E o que é essa “aposta de Pascal?”

PR. GILSON: Eu não diria que a “aposta de Pascal” é a parte mais importante de sua filosofia. Toda a filosofia de Pascal é importante.

FILÓ: Mas, o que é essa aposta?

PR. GILSON: A aposta de Pascal consiste no seguinte:

     - Para Pascal, não podemos saber pela razão se Deus existe. Mas também não podemos provar, pela razão, que ele não existe.
     - Para ele, não podemos provar, pela razão, que existe uma pós vida. De igual modo não podemos provar, pela razão, que não existe uma pós vida.
     - Então, Pascal diz que, nesse caso, é preciso apostar, ou seja, fazer uma escolha. Não existe um meio termo. Ou eu acredito que Deus existe ou eu descreio de sua existência. Ou eu acredito em vida após a morte ou não acredito. De um jeito ou de outro, estou apostando.

FILÓ: E o resultado dessa aposta...

PR. GILSON: Segundo Pascal, o homem só saberá o resultado da sua aposta depois que morrer.

THEO: Sim. Mas o que há de extraordinário nessa aposta de Pascal para ser considerado a parte interessante da sua filosofia?

PR. GILSON: O que há de interessante é o seguinte:

     - Se alguém apostar que Deus existe. Acreditar em Deus e viver segundo seus padrões. E depois da morte Deus não existir, o que essa pessoa perdeu? Segundo Pascal, nada.

     - Porém, se alguém apostar que Deus não existe. Não acreditar em Deus nem viver segundo seus padrões. E depois que essa pessoa morrer, chegar do outro lado, descobrir que existe vida após a morte e que existe um Deus que está lá lhe esperando para dar uma sentença de condenação. O que essa pessoa perdeu? Segundo Pascal, tudo.

     - Para Pascal, mesmo que não se possa provar a existência de Deus ou do pós vida, é uma boa aposta acreditar neles. Não temos nada a perder.

SOFIA: Interessante essa “aposta de Pascal”.

PR. GILSON: Para alguns crentes a “aposta de Pascal” é boa, porque:

     - Se Deus não existe, a vida do crente é uma vida maravilhosa de qualquer forma. Se ele existe, muito mais ainda. Além dessa vida ser maravilhosa, a próxima será ainda melhor.

THEO: Então, a aposta a favor da existência de Deus é uma coisa boa.

PR. GILSON: A questão toda é a seguinte: será que uma pessoa que aposta na existência de Deus, mas coloca a possibilidade dele não existir, está agradando a Ele? O texto de Hebreus 11.6 diz que é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que Ele existe, pois todo pensamento diferente disto é falta de fé e, segundo o mesmo texto “sem fé é impossível agradar a Deus”.

FILÓ: Isto quer dizer que uma pessoa que crê em Deus, mas duvida que ele realmente exista, pode estar condenada.

PR. GILSON: Para Pascal, a aposta não pode ser evitada. Devemos crer ou não na existência de Deus. E, para ele, supor que não há Deus alem da sepultura é uma aposta perigosa.

THEO: Eu vou apostar na existência de Deus.

SOFIA: E quem não vai?

FILÓ: Eu acho que muitos não apostam na existência de Deus.

PR. GILSON: Para agradar a Deus é preciso crer que ele existe. Pascal, embora tenha pregado sobre a aposta, realmente acreditava em Deus e procurava servi-lo com lealdade.

SOFIA: Alguém tentou provar que essa aposta de Pascal era vã?

PR. GILSON: Um ateu chamado George Smith chegou a afirmar que quem aderia a aposta de Pascal perdia muito. Ele afirmou que a pessoa perde integridade intelectual. Perde também a auto estima e uma vida passional satisfatória. Para ele aceitar a aposta de Pascal é abrir mão da vida e da felicidade. Porém Pascal como um bom cristão sempre mostrou que apostar em Deus trazia felicidade no presente e realização futura.

SOFIA: Quais as provas de que Pascal era realmente um cristão?

PR. GILSON: Os seus escritos comprovam isto. Na noite do dia 23 de novembro de 1654, Pascal escreveu o memorial. Esse memorial Pascal costurou em sua roupa e o manteve assim até o resto de sua vida. Quando Pascal faleceu, um empregado seu descosturou o memorial de sua roupa.

THEO: O que tinha nesse memorial?

PR. GILSON: O memorial começa com uma invocação ao Deus de Abraão, Isaque e Jacó. E termina com as seguintes palavras:

"Jesus Cristo. Jesus Cristo. Eu dele me havia separado; eu o afastei, o reneguei e o crucifiquei. Que nunca mais dele me separe. Que só permaneça nos caminhos ensinados pelo Evangelho. Renuncia total e doce. Completa submissão a Jesus Cristo e a meu diretor. A alegria eterna por um dia de prova sobre a terra. Non obliviscar sermones tuos. Amem."

THEO: É verdade que Pascal disse: “o coração tem razões que a própria razão desconhece”?

PR. GILSON: É sim. É dele esta famosa frase. Ele a usou enquanto tratava das questões referentes à razão e a fé. Pascal fez oposição a Descartes, porém não excluiu o uso da razão para apoiar as verdades da fé cristã.

THEO: Podemos dizer que Pascal usava uma apologética racional para defender as verdades cristãs?

PR. GILSON: Pascal usava a evidência, embora tenha afirmado que tentar provar a existência de Deus é um sinal de fraqueza. Ele chegou a apresentar doze provas do cristianismo.

SOFIA: Pascal foi condenado à morte?

PR. GILSON: Não. Blaise Pascal morreu de tumor abdominal, precisamente à 1 hora do dia 19 de Agosto de 1662. Aos trinta e nove anos e dois meses de idade. Antes de sua morte, havia escrito a famosa Oração para pedir a Deus o bom uso das doenças.

FILÓ: Que oração! O que ele diz nessa oração?

PR. GILSON: Um pequeno resumo dela:

"Não vos pego saúde, nem doença, nem vida, nem morte, mas sim que disponhais de minha saúde e de minha doença, de minha vida e de minha morte, para vossa gloria, para minha salvação e para o beneficio da Igreja e de vossos santos, dos quais espero fazer parte por vossa graça. Só vós sabeis aquilo que é adequado para mim: sois o Senhor supremo, fazei o que quiserdes. Dai-me ou retirai de mim, mas conformai minha vontade à vossa. E que, com submissão humilde e perfeita e com santa confiança, eu me disponha a receber as ordens de vossa providência eterna. e que eu adore igualmente tudo aquilo que me vem de vós".

THEO: Essas foram as últimas palavras dele?

PR. GILSON: Não. Suas últimas palavras foram “que o Senhor nunca me abandone!”.

THEO: O cara era um crente.

PR. GILSON: E linda a história de Pascal e muito boa sua filosofia. Embora Voltaire tenha afirmado que Pascal incentivava ao fanatismo.

SOFIA: Vai nos recomendar algum livro para leitura?

PR. GILSON: Para saber mais sobre Pascal, é bom ler: PASCAL, da coleção OS PENSADORES da Editora Abril. Recomendo também ENCICLOPÉDIA DE APOLOGÉTICA de Norman Geisler, Editora Vida. E ainda o Volume 4 da coleção HISTÓRIA DA FILOSOFIA de Giovani Reale e Dario Antiseri.