O Pr. Gilson Soares dos Santos é casado com a Missionária Selma Rodrigues, tendo três filhos: Micaelle, Álef e Michelle. É servo do Senhor Jesus Cristo, chamado com santa vocação. Bacharel em Teologia pelo STEC (Seminário Teológico Evangélico Congregacional), Campina Grande/PB; Graduado em Filosofia pela UEPB (Universidade Estadual da Paraíba); Pós-Graduando em Teologia Bíblica pelo CPAJ/Mackenzie (Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper). Professor de Filosofia e Teologia Sistemática no STEC. Professor de Teologia Sistemática no STEMES, em Campina Grande - Paraíba. Pastor do Quadro de Ministros da Aliança das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil (AIECB). Pastoreou a Igreja Evangélica Congregacional de Cuité/PB, durante 15 anos (1993-2008). Atualmente é Pastor Titular da Igreja Evangélica Congregacional em Areia - Paraíba.

10 de novembro de 2012

O Conceito de Humanidade Europeia, em Edmund Husserl


O CONCEITO DE HUMANIDADE EUROPEIA, EM EDMUND HUSSERL

Gilson Soares dos Santos

Edmund Husserl, conforme ele mesmo diz, arrisca “ousar a tentativa de suscitar um novo interesse para o tão frequentemente tratado tema da crise européia”. Para isso, vai desenvolver a ideia histórico-filosófica de humanidade européia. Em Husserl, crise européia não significa crise regional da Europa, não é uma região geograficamente delimitada, mas crise da humanidade ou humanidade européia. Assim, já no primeiro parágrafo de A crise da humanidade européia e a filosofia, Husserl ressaltará que, expondo a função essencial que a filosofia exercerá, a crise européia ganhará uma nova luz. Ele abordará problemas que, a seu ver, conduziram à crise, fazendo uma análise crítico-filosófica do desenrolar de sua história, indicando o acesso ou caminho à ciência pura do espírito, pois na fase caracterizada pela crise Husserl desenvolve a fenomenologia.
            
Husserl parte daquilo que ele chama de “algo bem conhecido”, e mostra a diferença existente entre medicina científico-natural e a “medicina naturalista”, a primeira de caráter científico nasce de conhecimentos e ciências teóricas, enquanto a última, nasce da experiência ingênua no cotidiano do povo. Ele está consciente de que o conhecimento começa a partir de coisas concretas existentes, e ressaltará que os que estão familiarizados com o espírito das ciências responderão que a grandeza das ciências da natureza está justamente em não se conformar com uma empiria sensível, tendo esta apenas como uma passagem metódica para a explicação exata, isto é, físico-química. As ciências descritivas nos prendem àquilo que se apresenta à nossa mente, isto é, às finitudes do mundo circundante terreno, mas quando um fato se apresenta à consciência, captamos nele uma essência. Tratará das concreções sensivelmente dadas. Por exemplo, uma árvore é uma concreção sensivelmente dada, porque se dá com a realidade sensível aos nossos sentidos. Por isso Husserl busca mostrar que a crise européia é a crise do mundo circundante, está na pretensão de se enquadrar tudo.

“A espiritualidade humana está, decerto, fundada na physis humana, toda e qualquer vida anímica humana individual está fundada na corporeidade”, afirma Husserl. Mas não se pode, segundo ele, com base nisso, querer explicar essa ligação da physis humana com a vida psíquica por intermédio da física e química exatas, pois isso redundaria em fracasso diante da complicação da necessária investigação psíco-física exata.

A questão fundamental colocada por Husserl é entender como o desenvolvimento gigantesco das ciências modernas conduziu a uma crise da humanidade européia, representada pela crise das ciências. Ele vai buscar as estruturas espirituais em suas origens, isto é, na filosofia da Grécia, compreendendo que a sociedade européia é descendente da filosofia grega, sendo, portanto, a crise da humanidade européia uma crise da filosofia. Isto, segundo ele, aconteceu porque a humanidade esqueceu sua tradição espiritual e serviço à razão. A Europa tem um nascimento preciso e seu lugar de nascimento é espiritual, nasce sob a égide da filosofia, “da ciência universal, a ciência da totalidade do mundo, da unidade total de todo existente.”

Para Husserl, o mundo científico contemporâneo é um desvio de uma teleologia, ou seja, de uma intencionalidade teleológica, pois o telos que emergiu da filosofia grega para a humanidade européia foi perdido com o desenvolvimento da ciência. Perdeu-se o propósito de ser uma humanidade a partir da razão filosófica. Assim, entendemos que a crise das ciências é “a crise da humanidade como projeto racional”.

Daí a necessidade da superação dessa crise, que acontecerá quando a filosofia se interessar de novo pelo homem, se distanciando do formalismo científico. A fenomenologia é o caminho, pois se apresenta como a ciência voltada para as coisas (“às coisas mesmas”), é a ciência pura do espírito.

Tendo em vista os aspectos apresentados por Husserl, concluímos que a filosofia que deu origem à humanidade européia, entrou em crise na própria crise das ciências, a crise da humanidade européia, e somente a fenomenologia, as coisas mesmas, apresenta-se como a ciência pura e universal do espírito, “que investigue os elementos e as leis absolutamente universais que regem a espiritualidade, com o fim de obter explicações cientificas em sentido absolutamente conclusivo.”      
           
BIBLIOGRAFIA

HUSSERL. Edmund; A Crise da Humanidade Européia e a Filosofia. Pag. 60-73. Tradução: Urbano Zilles. 3.ed. Porto Alegre: ED